Estudo sobre a Estrutura de Governo na Igreja


Introdução


Existem aspectos do governo das igrejas locais no Novo Testamento que podemos identificar como sendo padrão bíblico? Como devemos estruturar a igreja em termos de cargos de liderança? Qual nomenclatura devemos usar para os cargos eclesiásticos? Qual deve ser o papel desempenhado pelos cristãos que ocupam os cargos estruturais da igreja? As mulheres podem ocupar cargos de liderança na igreja? E como deve ser a relação entre as diversas igrejas locais? Embora essas perguntas não apontem para o núcleo central da doutrina cristã, elas tratam de tema relevante na construção das igrejas atualmente, pois permeiam a mente e as conversas de muitos cristãos, que genuinamente buscam sanar dúvidas e obter orientação de Deus sobre o assunto.


O objetivo deste estudo é pesquisar o Novo Testamento em busca de aspectos relevantes e aplicáveis na atualidade, referentes ao modelo de governo adotado nas primeiras igrejas cristãs.


Começaremos enfatizando a importância de recorrermos à Bíblia para obtermos diretrizes para a Igreja. A partir das definições bíblicas, procuraremos esclarecer alguns malentendidos que nos rodeiam hoje, por meio do estudo de determinados termos cujos significados originais desvirtuaram-se ao longo dos séculos. Abordaremos a questão da participação feminina nos cargos e funções da igreja e, na sequência, traremos o tópico sobre liderança única e plural e o princípio espiritual que corrobora a escolha neotestamentária. Posteriormente, passaremos de forma sintética pelos principais sistemas de governo eclesiástico existentes, associando-os à evolução histórica resumida de seus processos de construção. Por certo, o entendimento (e a prática) de ensinamentos e exemplos oriundos dos apóstolos representará a melhor direção para a edificação e o fortalecimento da Igreja do século XXI e evitará sérios problemas decorrentes da não aplicação de preceitos bíblicos, ainda que sejam os mais periféricos no âmbito do Cristianismo.


1. Os fundamentos da Igreja e a autoridade do Novo Testamento


O Novo Testamento (NT) menciona características essenciais da Igreja de Jesus Cristo na seguinte passagem da carta de Paulo aos efésios:


Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce para tornarse um santuário santo no Senhor. Nele vocês também estão sendo edificados juntos, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito. (i) (Efésios 2:19-21 - Bíblia NVI).


O apóstolo ilustra dois elementos basilares da Igreja: o alicerce (fundamento) e a referência principal (pedra angular), a partir dos quais a família de Deus crescerá unida entre si e com Cristo.


O "fundamento" refere-se aos apóstolos e profetas, com base na doutrina dos apóstolos, conforme Atos 2:42. Interessante notar que, tanto a contextualização, como a ordem das palavras, indicam que o termo "profetas" possivelmente refere-se aos profetas da era cristã (cristãos que, pelo dom do Espírito Santo - Efésios 4:11; 1 Coríntios 12:28; Romanos 12:6 -, traziam a mensagem de Deus à igreja, de acordo com a doutrina dos apóstolos) e não aos profetas vetero-testamentários. Isso se clarifica mais, quando lemos Efésios 3:5 - "Esse mistério não foi dado a conhecer aos homens doutras gerações, mas agora foi revelado pelo Espírito aos santos apóstolos e profetas de Deus [...]" (Bíblia NVI). De toda forma, Jesus e a Igreja (Novo Testamento) são também o cumprimento da Lei e dos Profetas (Antigo Testamento) - Atos 26:22-23.


A "pedra angular" é Jesus Cristo. Esta metáfora ampara-se no Salmo 118:22 ("A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular" - Bíblia NVI), foi mencionada pelo próprio Jesus (Marcos 12:10) e absorvida no ensino de Pedro, que a repete duas vezes no NT (Atos 4:11 e 1 Pedro 2:7). É relevante notarmos que, seja nessa metáfora (do edifício), seja na metáfora do corpo, Jesus se coloca como participante da Igreja, sendo seu líder (a cabeça do corpo, a pedra principal do edifício), a partir do qual - e somente a partir do qual - nos ajustamos e exercemos bem nossas funções como discípulos.


Enquanto os apóstolos estavam vivos, suas palavras eram autoridade para definir questões de fé e prática na Igreja. Como não houve sucessão apostólica (os apóstolos não nomearam sucessores e o dom de apostolado, com suas marcas - 2 Coríntios 12:12 -, foi temporário e com objetivo específico de fundar a Igreja - Efésios 2:20 -, tal como aconteceu com o dom de profecia); após a morte dos apóstolos, permaneceram apenas os escritos por eles deixados. Com isso, a autoridade oral foi substituída pela autoridade escrita, sendo, em nossos dias, o Novo Testamento a única base de autoridade apostólica existente. Associandose este fundamento com a tradição judaica corroborada por Jesus (Antigo Testamento), temos a Bíblia completa, a Palavra de Deus que foi transmitida aos homens e alcançou a nossa geração, sendo autoridade primária para as nossas vidas e para a Igreja.


Portanto, diante de qualquer questão referente à Igreja, devemos sempre recorrer à Bíblia na busca por direção divina. No caso das indagações formuladas sobre organização e governo das igrejas, não deve ser diferente. O Novo Testamento ensina princípios gerais do modelo de governo implementado pelos apóstolos nas igrejas do primeiro século. Nesse contexto, encontramos exemplos históricos e ensinamentos doutrinários que devem nos inspirar e nos orientar na concepção de nosso modelo atual de liderança. Esse entendimento é importante, pois, construindo desta forma, nossa confiança e nossa esperança não estarão no modelo em si, mas no firme fundamento de Deus e de sua eterna Palavra, que criou e sustenta todas as coisas.


2. Aspectos importantes do modelo de governo das igrejas do Novo Testamento


2.1 Distinção entre cargos e dons


Neste tópico falaremos sobre os conceitos e as designações que o NT traz para cargos eclesiásticos e dons do Espírito. Após estes dois parágrafos introdutórios, trataremos dos dons espirituais (características, propósito e tipos) e, por fim, dos cargos (características, pré- requisitos, propósito e tipos).


O Novo Testamento faz importante distinção entre "cargos" e "dons" (GEISLER, 2010, p. 582). Com isso, podemos distinguir "cargos" eclesiásticos (ocupados por alguns cristãos) de "funções" eclesiásticas (exercidas por todos os cristãos, como membros do corpo de Cristo), sendo aqueles vinculados diretamente à estrutura eclesiástica adotada, e estas atreladas aos dons dados por Deus aos discípulos. Os dons do Espírito Santo, como os dons ministeriais (apostolado, profecia, evangelismo, pastorado, ensino, etc.) - por exemplo, são concedidos diretamente por Deus para a edificação da Igreja (Efésios 4:11-12). Os cargos (presbítero/bispo e diácono - únicos cargos eclesiásticos mencionados no NT) são determinados ou aprovados pela igreja local, por meio da escolha de pessoas que atendam às qualificações e aos critérios estabelecidos (1 Timóteo 3:1-13; Tito 1:5-9). Dessa forma, a igreja define ou aprova a ocupação de cargos, mas ela não concede dons, como veremos nos tópicos que se seguem.


2.1.1 Os dons do Espírito


Em linhas gerais, a multiplicidade de dons tem como propósito suprir as necessidades dos santos; equipar, aperfeiçoar e edificar a Igreja; assim como, confirmar a pregação da mensagem cristã e proporcionar antegozo parcial da era vindoura (GRUDEM, 1999, p. 861- 862). A Bíblia sempre deixa claro, ao mencionar sobre os dons espirituais, que estes vêm de Deus, por sua graça, e são distribuídos aos cristãos pelo Espírito Santo. Cada cristão, de acordo com os dons dados pelo Espírito, exerce sua função na igreja. Os textos seguintes citam, de forma não exaustiva, diversos dons reconhecidos nos escritos apostólicos, sempre os vinculando diretamente à decisão e escolha de Deus, como indicam as expressões destacadas.


- Romanos 12:6-8 (Dons mencionados: profecia, serviço, ensino, encorajamento, contribuição, liderança e misericórdia).


Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé. Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia, que o faça com alegria. (i) (Bíblia NVI).


- 1 Coríntios 7:7 (Dons mencionados: casamento e celibato).


Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro. (i) (Bíblia NVI).


- 1 Coríntios 12:8-11 (Dons mencionados: palavra de sabedoria, palavra do conhecimento, fé, dons de curar, milagres, profecia, discernimento de espíritos, línguas e interpretação de línguas).


Pelo Espírito, a um é dada a palavra de sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra de conhecimento; a outro, fé, pelo mesmo Espírito; a outro, dons de curar, pelo único Espírito; a outro, poder para operar milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a outro, variedade de línguas; e ainda a outro, interpretação de línguas. Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, como quer. (i) (Bíblia NVI).


- 1 Coríntios 12:28 (Dons mencionados: apóstolo, profeta, mestre, milagres, variedades de curas, socorros, administração e línguas).


Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas. (i) (Bíblia NVI).


- Efésios 4:7-13 (Dons mencionados: apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre).


E a cada um de nós foi concedida a graça, conforme a medida repartida por Cristo. Por isso é que foi dito: "Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativos muitos prisioneiros, e deu dons aos homens". (Que significa "ele subiu", senão que também havia descido às profundezas da terra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher todas as coisas.) E ele [Jesus] designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. (i) (Bíblia NVI).


- 1 Pedro 4:10-11 (Dons mencionados: variedade de dons divididos em dois grupos: todo aquele que fala e todo aquele que serve).


Cada um exerça o dom que recebeu para servir os outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas. Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus. Se alguém serve, faça-o com a força que Deus provê, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre. Amém. (i) (Bíblia NVI).


2.1.2 Os cargos eclesiásticos


A diversidade de dons, entretanto, não garante "decência e ordem" (1 Coríntios 14:40) na comunidade, como biblicamente exemplificado pela igreja em Corinto. Sobre essa questão, a instituição de cargos eclesiásticos, com autoridade inerente a cada um deles, tem como objetivo possibilitar que a Igreja cresça como organismo estruturado que caminha harmonicamente no cumprimento de sua missão. A instrução de Paulo a Tito ("[...] para que você pusesse em ordem o que ainda faltava e constituísse presbíteros [...]" - Tito 1:5 - Bíblia NVI) e a Timóteo ("[...] saiba como as pessoas devem comportar-se na casa de Deus [...]" - 1 Timóteo 3:15 - Bíblia NVI) ilustram essa ideia. Por isso, a necessidade basilar de se cumprir critérios de qualificação, para que os ocupantes dos cargos sejam exemplo e tenham o respeito da comunidade cristã. Além disso, aos líderes da igreja cabe proteger o rebanho contra ameaças internas e externas, como observamos nos versículos que se seguem:


Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue. Sei que, depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos. (i) (Atos 20:28-30 - Bíblia NVI).


A igreja tem a incumbência de escolher ou aprovar a indicação daqueles que ocuparão os cargos de sua estrutura eclesiástica. Certamente é Deus quem escolhe e levanta líderes em sua Igreja; porém, Deus almejou fazê-lo com a participação ativa da comunidade cristã. No NT identificamos uma estrutura simples composta por dois cargos (presbítero/bispo e diácono), para os quais a igreja designava alguns de seus membros. Logo no início da comunidade cristã em Jerusalém, os apóstolos (que exerciam o papel de "presbíteros" - supervisores ou líderes - da igreja) depararam-se com a necessidade de organizar melhor a distribuição diária de alimento para as viúvas. Para tanto, instituíram os primeiros diáconos, os quais cumprindo os requisitos espirituais de qualificação - exigidos mesmo diante da execução de tarefa eminentemente operacional -, foram escolhidos pela congregação.


Naqueles dias, crescendo o número de discípulos, os judeus de fala grega entre eles queixaramse dos judeus de fala hebraica, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimento. Por isso os Doze reuniram todos os discípulos e disseram: "Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas. Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa e nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra. Tal proposta agradou a todos. Então escolheram Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, além de Filipe, ...". (i) (Atos 6:1-4 - Bíblia NVI).


Isso que observamos na igreja em Jerusalém, no início da era cristã, tornou-se padrão em todas as igrejas no NT, com relação à organização eclesiástica: a existência de dois cargos, sendo que os presbíteros/bispos serviam como supervisores espirituais (principal grupo de liderança) e os diáconos, possivelmente, serviam executando tarefas específicas - e importantes no contexto da igreja -, tais como administração e finanças, benevolência, aconselhamento e coordenação de pequenos grupos, dentre outras, como sugere Grudem (1999, p. 770-771).


Ainda no livro de Atos, vemos Paulo e Barnabé, na primeira viagem missionária, voltando para cidades com igrejas recém-implantadas e designando presbíteros para essas comunidades: "Paulo e Barnabé designaram- lhes (ordenaram, elegeram) presbíteros (bispos) em cada igreja; tendo orado e jejuado, eles os encomendaram ao Senhor, em quem haviam confiado." (i) (Atos 14:23 - Bíblia NVI).


Quando não podia organizar pessoalmente as igrejas, Paulo delegava essa tarefa, dando instruções claras quanto aos requisitos espirituais necessários para se ocupar os cargos.


A razão de tê-lo deixado em Creta foi para que você pusesse em ordem o que ainda faltava e constituísse (ordenasse, elegesse) presbíteros (bispos) em cada cidade, como eu o instruí. É preciso que o presbítero seja irrepreensível, marido de uma só mulher e tenha filhos crentes que não sejam acusados de libertinagem ou de insubmissão. Por ser encarregado da obra de Deus, é necessário que o bispo seja irrepreensível: não orgulhoso, não briguento, não apegado ao vinho, não violento, nem ávido por lucro desonesto. Ao contrário, é preciso que ele seja hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, consagrado, tenha domínio próprio e apegue- se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela. (i) (Tito 1:5 - Bíblia NVI).


Esta afirmação é digna de confiança: Se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, moderado, sensato, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? Não pode ser recém- convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o Diabo. Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do Diabo. Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos. Devem apegar- se ao mistério da fé com a consciência limpa. Devem ser primeiramente experimentados; depois, se não houver nada contra eles, que atuem como diáconos. As mulheres igualmente sejam dignas, não caluniadoras, mas sóbrias e confiáveis em tudo. O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa. Os que servirem bem alcançarão uma excelente posição e grande determinação na fé em Cristo Jesus. (1 Timóteo 3:1-13 - Bíblia NVI).


No início da carta aos filipenses, Paulo faz menção aos ocupantes dos dois cargos daquela igreja: "Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos (presbíteros) e diáconos." (i) (Filipenses 1:1 - Bíblia NVI).


A partir desse entendimento, numa comunidade local no primeiro século, por exemplo, era comum a igreja nomear (designar, eleger, escolher) presbíteros e diáconos (para os cargos eclesiásticos); mas não faria sentido dizer que a comunidade cristã designava evangelistas, pastores e mestres (dons do Espírito), pois estes eram chamados (designados, eleitos, escolhidos) por Deus. A igreja apenas reconhecia a ação do Espírito por meio da vida dos irmãos, de acordo com os dons dados por Deus. Este é o padrão que encontramos no NT. De outra forma, de acordo com o modelo do NT, há uma incoerência se, por exemplo, dizemos que uma determinada igreja compõe-se de "presbíteros, evangelistas, diáconos e membros ativos", pois estaríamos estabelecendo o cargo de evangelista em sua estrutura (inexistente na igreja primitiva, por tratar-se de um dom). Podemos sim ter cristãos que ocupam o cargo de presbítero ou diácono e que receberam de Deus o dom de evangelista (ou mestre, ou pastor, ou de liderança, etc.).


2.1.3 Considerações sobre os termos "presbítero", "bispo" e "pastor"


O termo de origem hebraica "presbítero" ("presbuteros" = presbítero ou ancião) significa "mais maduro" ou "mais sábio" para exercer a função de "supervisor", conforme esclarece Geisler (2010, p. 581). O correspondente grego do termo é "bispo" ("episkopos") e, no NT, estas duas palavras aparecem como sinônimas.


Outro termo que gera certa controvérsia, por seu uso comum, atualmente, é "pastor" (Grego = "poimén"). Ao examinarmos a Bíblia, o termo pastor ocorre 18 vezes no NT, nunca como cargo eclesiástico, mas, em algumas passagens, referindo-se ao dom espiritual ou ao papel exercido pelos presbíteros (GUIMARÃES, 2013). Na maioria das ocorrências refere-se ao Senhor Jesus, como observamos na classificação esboçada no quadro seguinte:


Quadro: Ocorrências do termo "pastor" (Grego: "poimén") no Novo Testamento

Fonte: elaborado pelo autor (2014), a partir de pesquisa realizada por Guimarães (2013).


Sobre este tema, é significativa a análise de Atos 20:17,28, pois neste texto fica claro a intercambialidade entre os termos presbítero e bispo, assim como o papel que os ocupantes destes cargos devem exercer, "pastoreando" a igreja de Deus: "De Mileto, Paulo mandou chamar os presbíteros da igreja de Éfeso. [...] Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus [...]." (i) (Atos 20:28-30 - Bíblia NVI).


Guimarães (2013) resume a questão referente a estes três termos, mencionando que o NT aponta para uma pluralidade de líderes, sendo que por catorze vezes eles são chamados de "presbíteros" e por quatro vezes são denominados "bispos" (Atos 20:28; Filipenses 1:1; 1 Timóteo 3:2; Tito 1:7). Atos 20:17,28 demonstra que "presbítero" e "bispo" são vocábulos intercambiáveis. No entanto, apesar de terem o papel de pastorear a igreja, nem ao menos uma única vez a Bíblia lhes dá o título de "pastor".


2.1.4 A participação das mulheres em cargos eclesiásticos


Primeiramente, importa destacar que Deus criou homens e mulheres iguais em valor e capacidade de discernimento espiritual (Gênesis 1:27). Ambos foram criados à imagem de Deus. Jesus, sendo Deus, soube demonstrar isso claramente por meio do tratamento respeitoso que dispensou às mulheres durante seu ministério terreno.


Jesus tinha discípulos e discípulas (Lucas 8:1-3; 23:27) e ensinava a todos, independente do gênero, sobre as verdades eternas. Contudo, ao escolher os líderes principais que levariam a diante seus ensinamentos e estabeleceriam a sua Igreja, Cristo definiu um modelo plural de liderança masculina.


Nessa mesma linha, o NT como um todo não ampara a ideia de mulheres participarem do grupo de presbíteros na igreja. Este ensino vai ao encontro da divisão de papéis que Deus estabeleceu para homens e mulheres (iguais em importância como pessoas, mas diferentes no exercício de papéis distintos) e se verifica por meio das orientações de Paulo a Timóteo e Tito: "esposo de uma só mulher" (1 Timóteo 3:2 e Tito 1:6) e "Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade" (1 Timóteo 3:4).


Outra passagem que podemos analisar é 1 Timóteo 2:11-14, na qual, no contexto de toda a igreja reunida, Paulo faz duas proibições às mulheres: ensinar e exercer autoridade sobre os homens (funções típicas de presbíteros):


A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição. Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja, porém, em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, e depois Eva. E Adão não foi enganado, mas sim a mulher que, tendo sido enganada, tornou-se transgressora. (i) (Bíblia NVI).


Estes ensinamentos, a exemplo também de 1 Coríntios 14:33-36, não intencionam proibir a mulher de proferir todo o tipo de discurso público, já que em 1 Coríntios 11:5, Paulo claramente permite que mulheres orem e profetizem na igreja. Grudem (1999, p. 789) se expressa, de forma geral, sobre o tema do seguinte modo: “Não haverá padronização eterna de papéis iguais para homens e mulheres em todos os níveis de autoridade na igreja. Ao contrário, há um modelo de liderança masculina nos supremos papéis de autoridade na igreja, modelo que será evidente para todos os cristãos por toda a eternidade.”


Por outro lado, as mulheres cristãs têm o Espírito Santo e, por consequência, a diversidade de dons (inclusive ministeriais), conforme a vontade de Deus. Aliado a isso, a igreja possui inúmeras necessidades, sendo que muitas delas serão supridas com o trabalho e a servidão das discípulas de Jesus. Prova disso é encontrada no capítulo 16 da carta aos romanos, no qual Paulo menciona diversas colaboradoras (Febe, Priscila, Maria, Trifena, Trifosa, Pérside, Júlia, etc.).


Embora seja tópico controverso, parece que o NT evidencia mulheres exercendo o papel de diaconisas nas igrejas do primeiro século. Isso pode ser visto a partir dos comandos de Paulo a Timóteo (1 Timóteo 3: 8-11) a respeito dos diáconos, dentre os quais, diferentemente de quando trata dos presbíteros, o apóstolo introduz a instrução contida no versículo 11, como observamos de forma destacada na sequência:


10 Devem ser primeiramente experimentados; depois, se não houver nada contra eles, que atuem como diáconos.

11 As mulheres igualmente sejam dignas, não caluniadoras, mas sóbrias e confiáveis em tudo.

12 O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa.(i) (Bíblia NVI).


Sobre este texto, Kelly (1983, p. 84-85) menciona que "[...] é concordado de todos os lados que Paulo não pode, numa passagem que se ocupa com grupos especiais [presbíteros e diáconos], estar injetando uma referência às mulheres da congregação em geral." A questão passa a ser, então, se o termo "mulheres" refere-se a "diaconisas" ou simplesmente a "esposas dos diáconos". A favor da interpretação como "diaconisas", o mesmo autor tece comentários sobre aspectos gramaticais do texto original em grego e argumenta que seria estranho Paulo referir-se somente às esposas dos diáconos, sem mencionar nada a respeito das esposas dos presbíteros - líderes principais da igreja - (Paulo trata dos presbíteros nos versículos imediatamente anteriores, de modo paralelo) e conclui da seguinte forma seus pensamentos:


[...] é provável que a tradução 'diaconisas' seja correta. [...] 'Mulheres' está sendo usado quase adjetivamente - 'diáconos que são mulheres', 'diáconos mulheres'. Já tem sido perguntado por que, se Paulo quis dizer diaconisas, não empregou um termo técnico separado, mas a resposta suficiente é que o NT não conhece algum.


Nesta linha, a menção de Paulo a Febe como “diácono”, em Romanos 16:1 - "Recomendo-lhes nossa irmã Febe, serva da igreja em Cencréia" (Bíblia NVI) -, por falta de termo técnico mais adequado, à época, corrobora o entendimento. Sobre esse versículo, Bruce (1979, p. 218) comenta: "a palavra 'serva' é 'diakonos' (diaconisa - 'uma irmã em Cristo que desempenha ofício na congregação de Cencréia). I Timóteo 3:11 sugere a ideia de que os deveres de um 'diakonos' podiam ser cumpridos por homens e mulheres."


Nos séculos subsequentes, documentos históricos da igreja (como a carta de Plínio a Trajano, datada do ano 112) mencionam várias diaconisas, trabalhando em áreas relacionadas a outras mulheres ou à igreja no geral, e indicam a criação de um termo técnico (“ministrae”) específico para definir as oficiantes femininas da igreja (KELLY, 1983, p. 85).


Dessa forma, via de regra, as mulheres podem exercer variadas funções e até mesmo cargos (de natureza diaconal) na igreja, desde que não envolvam funções de governo e de ensino espiritual a toda a igreja, pois estas são reservadas aos presbíteros. Além disso, as esposas dos presbíteros, ao exercerem seu papel como auxiliares, culminarão por ajudar os maridos, apoiando-os em suas tarefas ministeriais.


2.2 Pluralidade de presbíteros como grupo de liderança principal das igrejas neotestamentárias


Ao se examinar os textos do NT, observamos que "[...] há um padrão bastante coerente de vários presbíteros como principal grupo de liderança das igrejas neotestamentárias" (GRUDEM, 1999, p. 764). Procuraremos, neste tópico, demonstrar a ocorrência deste padrão por meio da análise da estrutura da igreja, tanto no contexto judaico, quanto no âmbito do mundo gentio, concluindo o tema com referências do Novo Testamento sobre a ideia de liderança plural, dirigidas a todas as igrejas da época. Acrescentaremos à abordagem bíblica, o depoimento de alguns estudiosos contemporâneos sobre o assunto.


A Igreja da era cristã teve início em Jerusalém (ano 29 d.C.) liderada por um grupo de homens treinados por Cristo e guiados pelo Espírito Santo. Jesus, ao longo de sua vida terrena, relacionou-se com muitas pessoas, mas cuidou em formar um grupo mais próximo (os apóstolos), que por anos liderou a igreja em Jerusalém, como observamos nos primeiros capítulos do livro de Atos (Atos 1:1-4, 2:42-43, 4:33-35, 5:12, 6:2-6, 8:1,14). Tendo sido escolhidos por Jesus como apóstolos (dom do Espírito), ocuparam o cargo de presbíteros/bispos (líderes ou supervisores) na igreja, juntamente com outros irmãos - inicialmente em Jerusalém e depois espalhados por diferentes regiões do mundo antigo. Em Atos 15, observamos outros presbíteros trabalhando lado a lado com aqueles que eram apóstolos (versículos 2, 4, 6, 22 e 23), na questão da circuncisão enfrentada pela igreja em Jerusalém (COTTRELL, 2010, p. 429). A respeito do exercício do cargo, claramente dão testemunho Pedro ("Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles [...]" - 1 Pedro 5:1 - Bíblia NVI) e João ("O presbítero, à senhora eleita e aos seus filhos, a quem amo na verdade [...] - 2 João 1 - Bíblia NVI; "O presbítero, ao amado Gaio, a quem amo na verdade [...] - 3 João 1 - Bíblia NVI). Demonstra-se, dessa forma, que a igreja (em Jerusalém) iniciou-se e desenvolveu-se com uma liderança plural.


Observamos que, ao romper as fronteiras do mundo judaico e chegar aos gentios, a Igreja continuou adotando o modelo de liderança múltipla, de acordo com as referências encontradas no Novo Testamento. Ainda no livro de Atos, vemos Paulo e Barnabé, na primeira viagem missionária, voltando para cidades com igrejas recém-implantadas (Listra, Icônio e Antioquia) e designando presbíteros para cada uma dessas comunidades: "Paulo e Barnabé designaram-lhes (ordenaram, elegeram) presbíteros (bispos) em cada igreja; tendo orado e jejuado, eles os encomendaram ao Senhor, em quem haviam confiado." (i) (Atos 14:23 - Bíblia NVI).


Em Atos 20, a Bíblia registra fato semelhante, ocorrido com a igreja em Éfeso (terceira viagem missionária), quando Paulo chama os presbíteros da comunidade cristã recémimplantada, indicando "[...] que o procedimento normal de Paulo desde sua primeira viagem missionária era estabelecer um grupo de presbíteros em cada igreja que fundava" (GRUDEM, 1999, p. 765): "De Mileto, Paulo mandou chamar os presbíteros da igreja de Éfeso." (Atos 20:17 - Bíblia NVI).


Possivelmente, Paulo também instruía seus cooperadores a procederem da mesma forma, quanto à organização das igrejas, como exemplificado na carta a Tito: "A razão de tê-lo deixado em Creta foi para que você pusesse em ordem o que ainda faltava e constituísse (ordenasse, elegesse) presbíteros (bispos) em cada cidade, como eu o instruí." (Tito 1:5 - Bíblia NVI).


Por fim, observamos que esta perspectiva de um grupo de presbíteros em cada igreja transcende aos escritos de Paulo e às narrativas de Lucas, consolidando-se como concepção neotestamentária ampla. Por exemplo, Tiago, em sua carta destinada aos cristãos de todas as igrejas - "[...] às doze tribos dispersas entre as nações [...]" (Tiago 1:1 - Bíblia NVI) - claramente exibe a expectativa de que todas as igrejas existentes à época deveriam ter presbíteros (plural) constituídos: "Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor." (i) (Tiago 5:14 - Bíblia NVI). O mesmo poderíamos mencionar com relação a outras epístolas gerais, como a primeira carta de Pedro e a carta aos hebreus (esta última referindo-se ao termo geral "líderes").


Sobre o tema, Moo (1990, p. 175) comenta que "[...] tanto Pedro quanto Tiago pressupõem a existência de presbíteros na igreja, demonstrando que o ofício devia estar amplamente difundido na primeira igreja."


A maioria dos estudiosos modernos que dissertam sobre esta questão, ao defrontarem-se com o Novo Testamento, comunicam pensamentos semelhantes, apesar de representarem diferentes matizes doutrinárias. Por exemplo, Grudem (1999, p. 765) conclui seu exame sobre o assunto com as seguintes palavras: "[...] nenhum texto sugere que qualquer igreja, não importa quão pequena tivesse só um presbítero. O padrão coerente do Novo Testamento é a pluralidade de presbíteros 'em cada igreja' (Atos 14:23) e 'em cada cidade' (Tito 1:5)."


Strauch (1995, p. 31), após estudar os textos bíblicos, afirma que "um verdadeiro grupo de liderança bíblico não é um comitê profissional. É um conselho biblicamente qualificado de homens que pastoreiam em conjunto a igreja local" (tradução livre). Na mesma direção está a percepção de Geisler (2010, p. 584), que ao examinar a questão da pluralidade de presbíteros na igreja local, tendo em mente Atos 14:23, conclui: "Visto que nem toda igreja era grande, fica claro que uma pluralidade de anciãos (não apenas um) era determinada para cada igreja (não apenas para a igreja toda) - até mesmo a pequena congregação filipense tinha muitos 'bispos' (Filipenses 1:1)."


2.2.1 O princípio espiritual de apoio à pluralidade de liderança


O princípio espiritual, que descreve "a plena unidade na diversidade" - referindo-se precipuamente à própria essência de Deus -, surge como fonte de inspiração e base para o estabelecimento da liderança plural no modelo neotestamentário. Deus é plural e uno. Plural no sentido de ser três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) e uno no sentido de ser o único e verdadeiro Deus, criador de todas as coisas. Dessa forma, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são plenamente Deus, com o mesmo propósito e perfeitamente unidos a partir da mesma essência - o amor (1 João 4:1). No entanto, "as pessoas da Trindade têm funções primordiais diferentes com relação ao mundo" (GRUDEM, 1999, p. 183).


O princípio espiritual, que descreve "a plena unidade na diversidade" - referindo-se precipuamente à própria essência de Deus -, surge como fonte de inspiração e base para o estabelecimento da liderança plural no modelo neotestamentário. Deus é plural e uno. Plural no sentido de ser três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) e uno no sentido de ser o único e verdadeiro Deus, criador de todas as coisas. Dessa forma, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são plenamente Deus, com o mesmo propósito e perfeitamente unidos a partir da mesma essência - o amor (1 João 4:1). No entanto, "as pessoas da Trindade têm funções primordiais diferentes com relação ao mundo" (GRUDEM, 1999, p. 183).


Grudem (1999, p. 190) comenta ainda que, como Deus em si mesmo contém unidade e diversidade, não é de se admirar que unidade e diversidade também se reflitam nas relações humanas por Ele instituídas. Há dois exemplos que demonstram isso claramente: o casamento e a Igreja. Como neste estudo nosso enfoque é a Igreja, vamos observar as passagens a seguir.


Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei- lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste. (i) (João 17:20-23 -- Bíblia NVI).


Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito. (1 Coríntios 12:12-13- Bíblia NVI).


O que observamos do estudo do NT é que a unidade da Igreja começa com a inabalável e eterna unidade de Deus, mas passa pela unidade primordial dos líderes que Deus chamou para conduzir seu povo (unidade de cada líder com Deus e unidade dos líderes entre si). Nessa construção, é imperativo que o amor (elo perfeito - Colossenses 3:14) sobressaia. A conquista da união (unidade na diversidade) implica em constante e profundo exercício de humildade, fé, vulnerabilidade, paciência, esperança e respeito mútuo (que é amor, de acordo com 1 Pedro 2:17). Com isso, a união na igreja e entre o grupo de liderança, pode ser tomada como um precioso indicador do Cristianismo que cada um de nós estamos praticando: "Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar- se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros." (João 13:33-34 - Bíblia NVI).


Por outro lado, torna-se necessário esclarecer, neste ponto, que não estamos tratando de unidade em um ambiente de total diversidade. Estamos falando de unidade cristã. O pressuposto inicial é que o núcleo básico de princípios e doutrinas bíblicas, estabelecidos por Jesus (doutrina dos apóstolos), precisa ser obedecido e praticado por todos. Caso alguém não aceite ou não tenha disposição para obedecer as doutrinas básicas de Cristo, por definição, tal pessoa não é cristã e, portanto, não participa espiritualmente da Igreja de Jesus. Nesse caso, temos que continuar falando em amor e respeito, mas não há o que se falar em busca de "unidade na diversidade" entre discípulos de Jesus, como estamos tratando aqui.


Portanto, a Trindade exprime este princípio de unidade na diversidade como doutrina, e a Igreja o faz tornando-se o reflexo visível (ainda que momentaneamente imperfeito) da natureza invisível de Deus. A partir da unidade de Deus, é possível formar um grupo de liderança unido; a partir da unidade da liderança, é possível construir uma igreja unida e em paz.


2.2.2 Composição e dinâmica dos grupos de liderança


A Bíblia diz pouco sobre o processo de escolha dos líderes e sobre o número de cristãos que devem compor a liderança em cada igreja (MUELLER, 1988, p. 254). A passagem mais clara parece ser a escolha dos diáconos em Atos 6, da qual sabemos que a congregação escolheu sete homens, posteriormente nomeados pelos apóstolos (com oração e imposição de mãos), mediantes critérios espirituais pré-estabelecidos, para exercerem tarefas também previamente definidas. O número de diáconos pode variar de acordo com as necessidades e as frentes de trabalho que cada igreja se dispõe a iniciar, em consonância com os dons e a capacidade de liderança que Deus concedeu aos seus membros. A questão maior recai sobre o grupo de presbíteros, responsáveis pelo governo e supervisão da congregação. A prática tem mostrado que equipes grandes dificultam o processo de debate e de tomada de decisões, além de contribuir para relacionamentos superficiais ou meramente técnicos ("de trabalho"). A experiência em nossa igreja local indica que grupos com três a cinco membros mostraram-se efetivos, promovendo rica diversificação de ideias, amizades espirituais profundas e fluidez nos processos de decisão.


Há que se considerar também a realidade fática de que algumas igrejas pequenas, ou mesmo algumas missões, não terão momentaneamente liderança principal plural. Isso ocorrerá pelo simples fato de Deus ainda não ter acrescentado a essas igrejas, cristãos que se enquadrem nos pré-requisitos bíblicos para serem nomeados presbíteros. Igrejas com esse perfil, no entanto, assemelham-se aos pequenos grupos existentes no contexto de igrejas maiores, onde as questões tendem a ser conhecidas e examinadas por todos do grupo. Com isso, conforme o modelo apostólico, a única exceção que se vislumbra para uma igreja não possuir liderança plural não hierarquizada é esta: impossibilidade de nomeação de presbíteros por ausência de cristãos capacitados (dons do espírito), habilitados (condições bíblicas) e com disposição para assumir o cargo.


Existindo na comunidade local vários discípulos que satisfazem às condições bíblicas para a supervisão, ficará a critério da igreja a definição do tamanho de seu presbitério (grupo de presbíteros). A existência de vários cristãos capacitados, habilitados e que almejam servir como presbíteros numa determinada igreja não implica em obrigatória nomeação de todos para o presbitério, haja vista tratar-se de cargo eclesiástico. Neste caso, os membros da igreja com estas características que não são presbíteros poderão servir a comunidade de acordo com seus dons e talentos, sem estarem necessariamente investidos em cargo de supervisão.


Dessa forma, pode-se elencar três diretrizes para a definição do número de componentes do presbitério. Primeiramente, a necessidade da igreja de acordo com o número de membros, estrutura ministerial e volume de trabalho existente. Em segundo lugar, a necessidade de construção de relacionamentos espirituais profundos e do estabelecimento de processos de trabalho simplificados, características inviabilizadas no âmbito de grandes grupos. Por fim, a necessidade de se escolher homens capazes (dons ministeriais), habilitados (pré-requisitos bíblicos) e desejosos de servirem ocupando cargo de supervisão na igreja.


Ao se estabelecer modelo de liderança plural, como encontramos no NT, contribui-se, dentre outras coisas, para criação de grupo de liderança não hierarquizado em cada igreja. Todos na liderança serão presbíteros, líderes, supervisores da igreja. A união e a influência serão conquistadas com a prática das virtudes cristãs. A verdadeira união jamais será alcançada por meio da autoridade derivada de um cargo eclesiástico, mas será conquistada com base no amor e na servidão (Marcos 10:44). Funções específicas serão definidas considerando os dons e as características de cada presbítero. Certamente, algum componente do grupo, com o dom de liderança (Romanos 12:8), assumirá as responsabilidades de coordenação das atividades e se destacará no zelo, na fé, na visão, na inspiração da liderança e de toda a comunidade, sendo reconhecido pelo grupo de líderes e pela congregação no exercício de tal papel. Isso será fator importante para impedir que o grupo de liderança caia na armadilha de se tornar espiritualmente morno e com relacionamentos superficiais, transmitindo estagnação espiritual para toda a comunidade. No entanto, nesse modelo, o presbitério tem autoridade sobre a igreja e individualmente sobre os próprios membros da liderança. A autoridade é exercida pelo grupo e não pelo indivíduo isoladamente.


Como a Bíblia não é clara sobre a dinâmica do grupo de liderança, cada presbitério deve encontrar a melhor forma de conduzir suas reuniões e suas atividades, respeitando os princípios bíblicos. É possível, no entanto, extrairmos da Bíblia, por comparação com os costumes do judaísmo, um aspecto que não existia nas comunidades cristãs do primeiro século, que citaremos na sequência. Não sabemos ao certo o quanto o modelo plural de liderança cristão foi herdado da organização das sinagogas judaicas, onde existiam os conselhos de anciãos. Entretanto, os judeus tinham a figura do "chefe da sinagoga", que, definitivamente, não encontra paralelo no modelo apostólico da Igreja primitiva. Sobre o tema, Strauch (1995, p. 121-124) fala com propriedade e clareza:


No início, os doze apóstolos eram os líderes oficiais que supervisionavam a comunidade cristã. Mas muito cedo, em data não registrada, surgiu um corpo de anciãos que foi plenamente reconhecido pela congregação e pelos apóstolos como lideres da comunidade. É comum pensar que os primeiros cristãos tomaram emprestado a antiga estrutura de governo das sinagogas. Se isso é ou não verdade, é difícil dizer com certeza. Mas independente do nível de influência das antigas estruturas judaicas [liderança por conselho de homens, chamados anciãos, é anterior às sinagogas e são muito familiares para os judeus...], as primeiras congregações cristãs claramente não foram sinagogas reorganizadas. Por exemplo, o chefe que presidia oficialmente a sinagoga era chamado de "o chefe da sinagoga" (Lucas 8:49; Atos 18:8,17), mas as congregações cristãs nunca adotaram esta prática. As igrejas cristãs foram conduzidas por uma pluralidade de presbíteros, e não por um chefe que as governavam. (i) (Tradução livre).


No entanto, se por um lado não existiu na estrutura das igrejas da era apostólica “chefes da igreja local", por outro lado é natural e salutar que discípulos, em especial presbíteros, se destaquem na servidão e na influência espiritual à igreja. Observamos na Bíblia que alguns líderes eram vistos como principais referências na comunidade cristã da qual participavam, embora existissem outros presbíteros ao redor deles. Exemplo claro disso acontece quando Paulo, guiado por Deus, vai a Jerusalém para expor o evangelho que pregava aos gentios, conforme relatado na carta aos gálatas. Mesmo sem conhecer os apóstolos e presbíteros da igreja em Jerusalém (Paulo conheceu, de forma rápida, Pedro e Tiago, mas não os via há anos - Gálatas 1:18-19), Paulo faz referências a pessoas que "pareciam mais influentes" na igreja e distingue Pedro, Tiago e João como "colunas da igreja":


Catorze anos depois, subi novamente a Jerusalém, dessa vez com Barnabé, levando também Tito comigo. Fui para lá por causa de uma revelação e expus diante deles o evangelho que prego entre os gentios, fazendo-o, porém, em particular aos que pareciam mais influentes, para não correr ou ter corrido inutilmente. [...]. Quanto aos que pareciam influentes — o que eram então não faz diferença para mim; Deus não julga pela aparência — tais homens influentes não me acrescentaram nada. [...]. Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedro e João, tidos como colunas, estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão. (i) (Gálatas 2:1-2, 7, 9 - Bíblia NVI).


Paulo utilizou-se do sábio artifício de falar mais detidamente com "os mais influentes", buscando sucesso em sua empreitada espiritual. Como resultado, cita o sinal de comunhão proposto por Tiago, Pedro e João, "tidos como colunas" da igreja em Jerusalém. Certamente estes três eram, ou faziam parte daqueles "mais influentes" (GUTHRIE, 1984, p. 93). Por certo, não é coincidência que os três eram apóstolos e foram aqueles que viveram, de acordo com os relatos bíblicos, mais experiências na companhia do Senhor Jesus. Tais características atualmente continuam sendo essenciais para a influência espiritual nas igrejas. Os Presbíteros mais influentes serão aqueles que se destacam no seu relacionamento pessoal com Deus e nas experiências de vida marcadas pela fé e pela dependência em Deus. Além disso, são fundamentais características como conexão com a igreja e com o plano geral de Deus, coração consumido com a causa de Cristo, capacidade de execução de planos espirituais e de agregar pessoas determinadas a fazer a vontade de Deus, disposição para assumir responsabilidades e transformar situações difíceis, ser bons construtores espirituais. Estas características, que podem ser atribuídas hoje ao dom de liderança (mencionado por Paulo em Romanos 12:8), mostram-se como reminiscências do antigo dom de apostolado (SIMSON, 2001, p. 110-113), dados por Deus a Tiago, Pedro, João e a apenas outros poucos personagens do primeiro século.


2.3 A autonomia e a interdependência das igrejas locais


O estabelecimento de congregações saudáveis com liderança espiritual firmada nos ensinamentos bíblicos contribui para o salutar relacionamento entre igrejas locais. Neste tópico trataremos de dois aspectos norteadores da relação entre igrejas no NT: autonomia e interdependência.


Entendemos que as igrejas da era apostólica eram autônomas especialmente por possuírem liderança própria (presbíteros e diáconos) e tomarem suas próprias decisões, com base no AT e na doutrina dos apóstolos (base do NT). Geisler (2010, p. 598-599) elenca vários indicativos de autonomia das igrejas no primeiro século, dentre eles: tinham seus próprios oficiais (Filipenses 1:1; Atos 14:2), cuidavam dos seus assuntos internos e tinham autoridade para aplicar disciplina em seus membros (1 Coríntios 5 e 6), além de terem responsabilidade individual com Cristo (Apocalipse 1-3). Este mesmo autor tece interessante consideração sobre o tema, mostrando que a corrupção humana requer a existência de igrejas autônomas:


Deus sabia que as igrejas locais estariam nas mãos de pessoas finitas e falíveis. Entre outros aspectos da corrupção, está a inclinação humana para o poder, a qual João observou em sua terceira epístola: "Escrevi à igreja, mas Diótrefes, que gosta muito de ser o mais importante entre eles, não nos recebe". Este desejo de proeminência pode ser a origem da primazia da base dogmática do episcopado. De qualquer maneira, Deus previu o que a história humana revelou sobre a correlação do poder com a corrupção, e Ele aparentemente decidiu que sua igreja visível estaria em melhor situação com a autoridade distribuída por muitas igrejas, em vez de localizada em uma única organização instável. Por exemplo, envenenar um único poço não afeta outros poços não conectados, mas envenenar o suprimento de água central de uma cidade afetará a tudo e a todos que tenham acesso a ele [...]. O falso ensino em uma organização hierárquica, vindo de cima para baixo, impregnará todas as igrejas que estiverem sob seu domínio. (i) (GEISLER, 2010, 600-601).


De outro lado, os princípios do Cristianismo tratam de união e comunhão, e a verdadeira Igreja de Jesus certamente refletirá unidade espiritual. Autonomia não quer dizer isolamento. No caso do Cristianismo, autonomia é completamente compatível com aliança, cooperação, servidão, apoio, sacrifício, esforço, participação, doação. No entanto, cada uma dessas coisas serão praticadas a partir de um espírito livre e voluntário, por amor a Cristo e sua Igreja, e não por obrigação ou pressão de estruturas hierarquizadas. Precisamos uns dos outros e, em se tratando de igrejas, isso também é verdade. A isso estamos chamando interdependência. Um grande exemplo de cooperação entre igrejas é dado pelos macedônios, conforme Paulo registra em 2 Coríntios 8: 1-5:


Agora, irmãos, queremos que vocês tomem conhecimento da graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia. No meio da mais severa tribulação, a grande alegria e a extrema pobreza deles transbordaram em rica generosidade. Pois dou testemunho de que eles deram tudo quanto podiam, e até além do que podiam. Por iniciativa própria eles nos suplicaram insistentemente o privilégio de participar da assistência aos santos. E não somente fizeram o que esperávamos, mas entregaram- se primeiramente a si mesmos ao Senhor e, depois, a nós, pela vontade de Deus. (i) (Bíblia NVI).


Voluntariamente as igrejas da Macedônia sacrificaram para suprir as necessidades das igrejas judaicas pobres de Jerusalém. Kruse (1994, p. 162) observa que "[...] os macedônios consideravam a oportunidade de contribuir como um favor, ou privilégio. [...] Indica que o envolvimento deles era considerado participação numa entidade maior". Ou seja, eles sabiam que faziam parte de algo maior que suas igrejas locais, participavam da Igreja de Jesus Cristo. Essa visão, juntamente com o amor cristão, produzirá a comunhão edificante entre as igrejas locais.


3. Formas de governo em instituições religiosas cristãs


Segundo Geisler (2010, p. 581-582), de forma geral, podemos distinguir atualmente três formas básicas de governo nas congregações institucionais cristãs:


(1) Prebiteriana: os presbíteros (hebraico) ou bispos (grego) têm autoridade para exercerem a função de supervisores. Exemplos: Presbiteriana, algumas Batistas, várias independentes.


(2) Episcopal: o bispo (“epíscopos” = bispo, significando “supervisor”) dirige a instituição, estando em posição superior aos presbíteros. Exemplos: Católica Romana, Ortodoxa Oriental, Anglicana, Episcopal, Metodista e algumas Luteranas.


(3) Congregacional: a “ekklesia” (assembleia) é a autoridade final. Embora composta por presbíteros e diáconos, a maioria das questões de fé e prática são aprovadas pela congregação. Exemplos: Congregacional, algumas Batistas, várias independentes.


Entretanto, ainda de acordo com Geisler (2010, p. 601), ao examinarmos as transformações consolidadas ao longo dos séculos, com base no Novo Testamento e em outros documentos históricos, observamos os seguintes estágios:


(i) os sucessores imediatos dos apóstolos seguiram o modelo encontrado no NT: igrejas autônomas, interdependentes (cooperavam voluntariamente), lideradas localmente por uma pluralidade de presbíteros (bispos).


(ii) No século II, surge uma forma episcopal de governo nas igrejas, com a prevalência de um bispo, destacado e com papel diferente dos presbíteros.


(iii) Com o passar do tempo, o papel dos bispos tornou-se cada vez mais destacado, com um determinado bispo tendo autoridade institucional sobre uma região e sobre outros bispos, culminando na constituição de um bispo (de Roma) sobre todos os outros bispos. Em 1879, no Primeiro Concílio Vaticano, a Igreja Católica Romana declarou o bispo de Roma como infalível em fé e prática.


Conclusão


Do estudo do Novo Testamento, concluímos que podemos identificar e classificar como padrão certos aspectos do governo das igrejas locais no primeiro século. Um exemplo disso é a dualidade de cargos eclesiásticos citados pela Bíblia: presbíteros ou bispos (supervisores, líderes principais) e diáconos (serviam em diversos setores de acordo com as necessidades das igrejas). Verificamos também que as mulheres podem servir na igreja exercendo diversas funções e cargos de natureza diaconal, de acordos com os dons do espírito Santo, eximindo-se apenas das ocupações próprias dos presbíteros.


Observamos ainda que outro padrão do NT é a pluralidade de presbíteros como grupo de liderança principal das igrejas. Não há vinculação de um dom exclusivo àqueles que seriam ordenados presbíteros, sendo que estes bispos poderiam exercer liderança tendo diferentes dons ministeriais (pastorado, evangelismo, ensino, liderança, etc.), desde que satisfizessem às qualificações pré-estabelecidas (1 Timóteo 3:1-13; Tito 1:5-9). Nas palavras de Stott (2003, p. 365-366), temos que:


Não há defesa bíblica para um 'one-man-band' [...] ou para uma estrutura hierárquica ou piramidal na igreja local [...]. Nem sabemos se cada um dos presbíteros era responsável por uma igreja-no-lar. É melhor vê-los como uma equipe, alguns, talvez, encarregados da supervisão dessas igrejas-nos-lares, mas outros com ministérios específicos de acordo com os seus dons, e todos eles participando do cuidado pastoral pelo rebanho de Cristo. Precisamos recuperar esse conceito de equipe [...] na igreja.


A estrutura não hierarquizada de liderança nas congregações, representada pelo presbitério, reflete o relacionamento entre as diferentes igrejas locais, pautado pelos pressupostos de autonomia e de interdependência. A autonomia permite às igrejas tomarem suas próprias decisões, sem ingerência hierárquica (formalizada ou não) exterior, enquanto a interdependência diz respeito à comunhão e à cooperação estabelecidas voluntariamente entre as comunidades.


Por fim, é possível verificar como, historicamente, o modelo de estruturação e governo eclesiástico neotestamentário foi se transformando ao longo dos séculos, dando origem a diversas práticas denominacionais existentes na atualidade. No entanto, Deus nos deu a Bíblia, e com ela a oportunidade de nos voltarmos para os aspectos do modelo apostólico, aplicáveis nas igrejas do século XXI.



REFERÊNCIAS


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BRUCE, Frederick F. Romanos: introdução e comentário. 1. ed. reimp. 2007. São Paulo: Vida Nova, 1979.


COTTRELL, Jack. The faith once for all: Bible doctrine for today. Joplin-Missouri: College Press Publising Company, 2002. GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. 2 v.


GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. 1. ed. São Paulo: Vida Nova, 1999.


GUIMARÃES, Jabesmar A. A liderança da igreja e o clericalismo. Disponível em: <http://www.jabesmar.com.br/didatica/107-a-lideranca-da-igreja-e-o-clericalismo.html>. . Acesso em: 18 nov. 2013.


GUTHRIE, Donald. Gálatas: introdução e comentário. 1. ed. reimp. 2007. São Paulo: Vida Nova, 1984.


KELLY, John N. D. I e II Timóteo e Tito: introdução e comentário. 1. ed. reimp. 2007. São Paulo: Vida Nova, 1983.


KRUSE, Colin. II Coríntios: introdução e comentário. 1. ed. reimp. 2007. São Paulo: Vida Nova, 1995.


MOO, Douglas J. Tiago: introdução e comentário. 1. ed. reimp. 2007. São Paulo: Vida Nova, 1990.


MUELLER, Ênio R. I Pedro: introdução e comentário. 1. ed. reimp. 2007. São Paulo: Vida Nova, 1988.


STOTT, John. A mensagem de atos: até os confins da terra. 2. ed. 2. reimp. São Paulo: ABU 2003.


SIMSON, Wolfgang. Houses that change the world: the return of the house churches. Cumbria: OM Publishing: 2001.


STRAUCH, Alexander. Biblical Eldership: an urgent call to restore biblical church leadership. 3. ed. Littletown-Colorado: Lewis and Roth Publishers, 1995.



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