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O amor não se frustra
Jorge Bittencourt


Parte I: Princípios fundamentais
Mateus 23:37-39 “Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram. Eis que a casa de vocês ficará deserta. Pois eu lhes digo que vocês não me verão mais, até que digam: ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor’.”
“Estou tão frustrado com você!” Alguém já falou algo assim para você? Você se sentiu machucado? Nenhum de nós gosta que outras pessoas se frustrem conosco e tampouco gostamos de ficar frustrados. Talvez não entendamos a falta de espiritualidade que existe por trás de comentários como esses. O dicionário define “frustração” como “não ter o resultado que se esperava; não sair como se pretendia; malograr-se; falhar”. Observe que todas as definições do termo têm conotação negativa e certamente não são características desejáveis no coração de discípulos de Jesus Cristo.
Em essência, frustração revela egoísmo. Quando vemos uma pessoa que não está vivendo de acordo com seu potencial, ou sentimos preocupação com ela, ou frustração. A primeira emoção demonstra que estamos mais focalizados na dor de outra pessoa, enquanto que a segunda revela que estamos mais focalizados na nossa própria dor.
Jesus viveu sua vida preocupado com a dor dos outros. Na passagem acima, Jesus certamente estava sentindo dor, mas seria a dor da rejeição ou a preocupação com o destino eterno daquelas pessoas que o rejeitavam? A próxima passagem revela melhor a natureza da dor que ele sentiu naquele momento.
Lucas 19:41-42 “Quando se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: “Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos. Virão dias em que os seus inimigos construirão trincheiras contra você, a rodearão e a cercarão de todos os lados. Também a lançarão por terra, você e os seus filhos. Não deixarão pedra sobre pedra, porque você não reconheceu a oportunidade que Deus lhe concedeu.”
Jesus chorou quando pensou na cidade de Davi e nas pessoas que nela moravam. Jesus chorou pelos líderes religiosos, que o perseguiram tão acirradamente durante sua vida. Jesus chorou pela multidão que, dias mais tarde, gritaria “Crucifique!”. Jesus tinha muitas razões humanas para se focalizar em sua própria dor e assim ficar frustrado com aquele povo, mas decidiu se focalizar na dor dos outros, e demonstrou apenas preocupação. Jesus agiu exatamente como Deus age conosco. Em Lucas 15, quando o pai do filho pródigo recebe seu filho de volta, ele é rápido para perdoá-lo e comemorar seu retorno. Não vemos sinal de frustração. Da mesma forma, Deus não fica frustrado conosco; pelo contrário: espera pacientemente que “caiamos em nós mesmos” e nos recebe com perdão e misericórdia quando voltamos para ele.
Salmo 40:8 “Eu tenho prazer em fazer a tua vontade, ó meu Deus! Guardo a tua lei no meu coração.” (NTLH)
E nosso relacionamento para com Deus, como anda? É impressionante como temos a capacidade de perder a alegria e gratidão por simplesmente termos o privilégio de viver com ele! Como nos frustramos facilmente com Deus! Criamos expectativas mundanas ao redor do nosso relacionamento com ele e nos frustramos quando essas expectativas não são alcançadas no nosso tempo. Precisamos nos concentrar em fazer a nossa parte e deixar que Deus faça a dele! Isso não significa que resultados não são importantes, mas a conscientização de que fazer a coisa certa vai produzir os resultados certos, no tempo de Deus. É uma questão de confiança e entrega.
Você tem tido prazer em fazer a vontade de Deus? Se não, o que anda tirando sua alegria? Lembre-se que o “coração ansioso deprime o homem” (Provérbios 12:25), mas “a alegria do coração transparece no rosto” (Provérbios 15:13).
Filipenses 2:3-4 “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.”

Não ficar frustrado exige que ponhamos os interesses de outras pessoas antes dos nossos. Foi exatamente o que Jesus fez em sua vida na terra e especialmente na cruz. Quando tudo conspirava pra que ficasse frustrado com as pessoas, Jesus decidiu acreditar nelas (Mateus 26:32), perdoá-las (Lucas 23:42-43), orar por elas (Lucas 23:34) e servi-las (João 19:26-27).
Porque a frustração é basicamente egoísmo, pessoas frustradas não são pessoas felizes. O próprio Jesus ensinou que “há maior felicidade em dar do que em receber” (Atos 20:35).

Parte II: Jeremias
Jeremias foi descendente de família de sacerdotes e viveu em Israel nos séculos VII e VI a.C.. Em 626 a.C., ele começou a anunciar uma série de mensagens ao povo de Deus, chamando-o ao arrependimento. Desde o começo, Deus lhe havia avisado que as pessoas se voltariam contra o ele: "Escute, Jeremias! Todas as pessoas desta terra, isto é, os reis de Judá, as autoridades, os sacerdotes e o povo, vão ficar contra você!" (Jeremias 1:18). Jeremias tinha apenas 17 anos quando ouviu isso! Mesmo tendo sido separado por Deus para ser profeta às nações (Jeremias 1:5), as pessoas não ouviriam sua mensagem. Que teste para Jeremias! Como ele deve ter se sentido ao saber que o papel que desempenharia na vida não traria resultados visíveis e palpáveis? Como nós nos sentimos quando fazemos o bem, mas não vemos os frutos desejados? Jeremias foi provado, em todos os sentidos, a esperar não por aquilo que se vê, mas por aquilo que não se vê (Romanos 8:24-25).
Jeremias é conhecido como o profeta lamentador, talvez porque o livro Lamentações, escrito por ele, registra choros e lamentações do profeta após o rei da Babilônia ter conquistado e destruído Jerusalém. Por natureza, parecia ser um homem tímido, introspectivo e emotivo (Jeremias 4:19, 8:18). No entanto, são as suas queixas e até sua própria personalidade que realçam o homem cheio de caráter e amor a Deus que estudaremos agora.
Jeremias começou seu ministério no décimo terceiro ano do rei Josias (Jeremias 1:2), um dos melhores de Judá. No oitavo ano do seu reinado, o rei havia começado ampla reforma espiritual na terra (II Crônicas 34:3). O templo foi restaurado, o livro da Lei achado e o povo se humilhou diante de Deus (II Reis 22:3-23:28). Deve ter sido empolgante para Jeremias ver tantas mudanças positivas em período de tempo tão curto. No entanto, após a morte de Josias, Judá entrou em rápida espiral descendente que culminou com sua destruição em 586 a.C. Os próximos quatro reis após Josias (Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias) foram maus e não buscaram o Senhor Deus. Jeremias passou 22 anos do seu ministério servindo debaixo desses reis e enfrentou e superou muitas frustrações.
A maldade de Jerusalém era tanta que Deus havia dito que se encontrasse apenas uma pessoa justa na cidade, a perdoaria (Jeremias 5:1). No entanto, as pessoas estavam enganadas, dizendo que tudo estava em paz (Jeremias 6:14). Como você se sente quando lida com pessoas enganadas, que não vivem o que pregam? Qual a sua reação diante deles? Jeremias orou por aquelas pessoas com o coração cheio de misericórdia (Jeremias 11:23-25, 14:17). Na verdade, orou tanto que até o próprio Deus interveio e pediu que ele parasse de orar (Jeremias 11:14), porque não ouviria sua oração, devido à maldade do povo.
O povo respondeu à bondade de Jeremias com planos contra ele: tramas, traição, críticas, ameaça de morte (Jeremias 11:18-23, 12:6, 26:7-9). No entanto, Jeremias não desistiu deles. Pelo contrário: com coragem e perseverança, não deixou de proclamar-lhes a mensagem de Deus (26:11-15). A frustração pode construir ou destruir nosso caráter dependendo da nossa reação a ela: podemos ceder às emoções ou lutar contra elas e continuar fazendo o que é certo e focalizando nas necessidades dos outros.
Jeremias também expressou suas reclamações para Deus (Jeremias 12:1-4, 17:14-18, 20:7-18) e por isso encontrou ânimo e encorajamento para perseverar frente a muitas dificuldades. Para lidarmos com nossas angústias e frustrações, precisamos ser sinceros. Sem sinceridade, Deus não pode curar nossos corações e renovar nossa força.
Escritura a decorar: Salmo 40:8.

 
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