Parte I: Princípios fundamentais
João 14:15 “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos.”
João 14:21 “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que
me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele”.
João 14:23-24 “Respondeu Jesus: “Se alguém me ama,
obedecerá à minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos morada nele.
Aquele que não me ama não obedece às minhas palavras. Estas palavras que vocês estão
ouvindo não são minhas; são de meu Pai que me enviou.”
No último discurso de Jesus, os discípulos ficaram aflitos quando entenderam que
Jesus estaria deixando-os. No capítulo 14 de João,
Jesus busca consolá-los e ajudá-los
a entenderem como poderiam chegar até o Pai, onde Jesus estaria (
João 14:1-4). Jesus continua afirmando que o caminho para o Pai é seguir os seus
passos (14:5-6) e que ele
servirá de intermediador para os discípulos, capacitando-os, em seu nome, a fazerem
coisas ainda maiores (14:7-14).
Nos próximos versículos do capítulo, Jesus anuncia um grande segredo sobre o coração de
Deus. Quem seriam então aqueles que fariam coisas ainda maiores? Aqueles que amassem o
Pai, e que demonstrassem seu amor por meio da obediência.
Gary Chapman escreveu, há alguns anos, um livro chamado “As cinco linguagens do amor”.
Nele, ele descreve como pessoas diferentes se sentem amadas de diferentes maneiras e
lista as cinco linguagens de amor que ele acredita serem as mais populares entre os
casais (palavras de afirmação, tempo de qualidade, presentes, atos de serviço e toque
físico). Se alguém escrevesse um livro sobre as linguagens de amor de Deus, certamente
incluiria obediência como uma das mais importantes. Deus deixa claro, em sua Palavra,
como nossa obediência aos seus mandamentos demonstra amor à sua Pessoa. O contrário
também é verdade: a falta de obediência demonstra falta de amor à sua pessoa.
I João 2:3-6 “Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos. Aquele
que diz: “Eu o conheço”, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade
não está nele. Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus
está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele: aquele que afirma que permanece
nele, deve andar como ele andou.”
O amor é algo intangível, que envolve nossa alma, coração e mente. No entanto, há clara
relação entre a perfeição de nosso amor e a nossa obediência aos mandamentos de Deus, de
tal forma que é impossível conhecê-lo sem obedecê-lo. O versículo 6 é pragmático: a
maneira de saber se estamos em Cristo é se andamos como Cristo andou. Quais princípios
regeram a vida de Jesus? Quais os seus propósitos? Como ele gastou seu tempo? Quais
princípios regem a nossa vida? Quais são os nossos propósitos? Como gastamos nosso
tempo? Da resposta a essas perguntas depende a nossa comunhão com o Pai.
I João 5:1-5 “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus, e todo
aquele que ama o Pai ama também o que dele foi gerado. Assim sabemos que amamos os
filhos de Deus: amando a Deus e obedecendo aos seus mandamentos. Porque nisto consiste
o amor a Deus: em obedecer aos seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados.
O que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.
Quem é que vence o mundo? Somente aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus.”
Essa passagem é reveladora e relaciona vários princípios cristãos à obediência. No
versículo 1, A Bíblia afirma que se amamos a Deus, amamos os seus filhos, que foram
gerados dele. Nos versículos 2 e 3, João explica como
então podemos saber se amamos aos filhos de Deus: ora, se obedecemos aos mandamentos de Deus
. No versículo 3, João começa a ligar a obediência à
nossa fé: os mandamentos de Deus não são pesados e opressores! Como podemos obedecê-los? Por meio da fé. Paulo expressou o mesmo conceito
em Romanos 1:5, quando disse que Deus chama
“dentre todas as nações um povo para obediência que vem pela
fé”. A obediência não contradiz a fé, nem vice-versa. As
duas caminham lado a lado, cada uma alimentando a outra. É impossível haver obediência
sem fé, nem fé sem obediência. Obediência ao quê? À Lei de Cristo (
I Coríntios 9:21, Gálatas 6:2).
Aos princípios fundamentais que regeram a vida de Jesus na terra.
Dessa forma, assim como sabemos que não pode haver amor a Deus sem fé (Hebreus 11:6),
também não pode haver amor a Deus sem obediência aos seus mandamentos.
Como anda sua obediência à Lei de Cristo? Há áreas em seu caráter que você precisa
mudar para andar como ele andou?
Os mandamentos de Deus têm sido pesados na sua vida? Reflita sobre momentos onde o
fardo esteve mais fácil de carregar. Você nota relação entre esses momentos e a sua
fé?
Parte II: Abraão
O primeiro registro bíblico de Deus falando com Abrão está em Gênesis 12:1-9
, quando ele manda que Abrão saia de sua terra e vá viver em outro lugar. Ele tinha 75 anos
quando isso aconteceu: pegou sua esposa, Sarai, e seu sobrinho Ló, e partiu. Numa idade
quando a maioria já está buscando bem-estar e conforto para envelhecer em paz, Abrão
decidiu que obedecer aos mandamentos do Senhor seria sua prioridade.
Abrão não só teria que renunciar ao conforto de ficar em sua própria terra, perto de
seus parentes: Deus o estava chamando a peregrinar sem nem mesmo saber para onde estava
indo (Hebreus 11:8)! Muitas vezes, o maior desafio que Deus pede de nós não é o
sacrifício em si, mas a confiança em seus mandamentos e desígnios para a nossa vida.
A Bíblia ensina que “o Senhor dirige e abençoa a vida daqueles
que lhes obedecem” (Salmo 1:6,
Nova Tradução na Linguagem de Hoje – NTLH). Quantas vezes não clamamos a
Deus “Guia-me, mostra-me o caminho, o que queres que eu faça!”? A Bíblia deixa claro
que Deus está guiando nossa vida constantemente, por meio da nossa obediência aos seus
mandamentos: “Dirige-me pelo caminho dos teus mandamentos”
(Salmo 119:35); “Dirige os
meus passos, conforme a tua palavra” (119:133);
“Pois Deus está sempre agindo em vocês
para que obedeçam à vontade dele, tanto no pensamento como nas ações”
(Filipenses 2:13 NTLH).
Assim, vemos que, quando Abrão obedeceu à ordem de Deus, ele decidiu se sacrificar mas,
ainda mais importante, ele decidiu confiar na sabedoria e bondade de Deus, revelados
por meio de seu mandamento.
Muitos anos depois, a saber, 24, Abrão teve outro encontro com Deus (Ge 17).
Dessa vez, como confirmação da promessa de que Deus o tornaria pai de muitas nações, Abraão deveria
circuncidar a si mesmo e a todos da sua casa. A circuncisão era operação que deixava os
pacientes imobilizados e em dores durante dias (leia, por exemplo, a história em
Gênesis 34:1-25, especialmente o
versículo 25). Ora, Abraão era rico e vivia em terra
estrangeira, mas deveria circuncidar a todos os homens da sua casa, inclusive empregados
e escravos (Ge 17:23). O empolgante sobre Abraão era sua rapidez em obedecer:
“naquele mesmo dia Abraão ... os circuncidou...”. Quão rápidos somos para obedecer os
mandamentos de Deus e nos arrepender? O que a nossa demora em obedecer revela sobre a
nossa confiança em Deus?
Em outra instância, alguns anos depois, Deus prova Abraão novamente, chamando-o a
sacrificar seu próprio filho (Gênesis 22), que agora provavelmente estava no fim da
adolescência ou em seus primeiros anos como adulto. Deus sabia o preço do que estava
pedindo a Abraão: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a
quem você ama...”. Muitas vezes nos recusamos a obedecer porque não acreditamos
que Deus entende a dor pela qual passamos. Deus não só entende como se importa com
toda dor que sentimos. “Tu sabes como
estou aflito, pois tens tomado nota de todas as minhas lágrimas” (
Salmo 56:8, NTLH).
Novamente, vemos a confiança e disposição à obediência que Abraão demonstrou:
“na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento...”.
Nenhuma despedida, nenhum tempo para se consolar ou para aproveitar com Isaque. O autor
de Hebreus nos ajuda a entender o que se passava pela mente de Abraão: “
Abraão levou em conta que Deus pode ressuscitar os mortos e, figuradamente, recebeu
Isaque de volta dentre os mortos”
(Hebreus 11:19). No versículo 6,
novamente vemos seu espírito obediente: “Abraão pegou a lenha
para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas
para o fogo, e a faca.” Talvez Abraão fosse velho e já não conseguisse levar a
lenha ele mesmo; ou talvez a sua confiança nos mandamentos de Deus fosse tão forte que
ele não estava tão emocional como nós ficaríamos, e permitiu que seu filho carregasse
a lenha.
Abraão foi homem comum, como eu e você. Nos intervalos entre os eventos narrados nos
parágrafos acima, Abraão ficou com medo, mentiu pelo menos duas vezes, deixou de liderar
sua esposa, entre muitas outros pecados. Não há tentativa dos autores bíblicos de
esconder a natureza humana de Abraão. No entanto, em meio a isso, vemos surgir um homem
com impressionantes confiança e disposição para obedecer a Deus! Seu relacionamento de
amor a Deus foi provado por meio do amor que obedece!
Escritura a decorar: I João 5:3.