Parte I: Princípios fundamentais
II Coríntios 13:7 “[O amor] tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
O amor tudo crê... O verbo traduzido como crer, no grego, é pisteuo, e significa ter fé,
acreditar, colocar confiança e é uma das forças mais poderosas por trás do amor. Quem
põe a confiança em alguém está sujeito a sofrer, porque se torna mais vulnerável. Quem
crê em outra pessoa precisa ter paciência, porque mudanças profundas levam tempo. Quem
acredita em um indivíduo precisa carregar seus fardos juntos com ele.
A fé nos dá visão pelos outros. Ela nos faz crer que características invisíveis podem se tornar realidade na vida das pessoas. Ela nos ajuda a enxergar o potencial que existe nas pessoas e a ter altas expectativas uns pelos outros.
Uma palavra de precaução: embora um relacionamento sem expectativas seja como brasa que lentamente se apaga, uma dinâmica onde altas expectativas nos levam a exigir constantemente uns dos outros é como soprar o fogo constantemente – leva à rápida combustão. A partir do momento em que achamos que temos o direito de exigir dos outros, o amor deixa de existir, já que este está alicerçado na nossa opção de escolha.
Continuar acreditando sem se frustrar mesmo quando o progresso é lento e não desistir de ter visão são forças poderosas! Você já teve alguém na sua vida que o marcou por ter tido visão por você? Você está tendo esse tipo de fé por outra pessoa?
Romanos 4:17-21 “Como está escrito: “Eu o constituí pai de muitas nações”.
Ele é nosso pai aos olhos de Deus, em quem creu, o Deus que dá vida aos mortos e
chama à existência coisas que não existem, como se existissem. Abraão, contra toda
esperança, em esperança creu, tornando-se assim pai de muitas nações, como foi dito
a seu respeito: “Assim será a sua descendência”. Sem se enfraquecer na fé, reconheceu
que o seu corpo já estava sem vitalidade, pois já contava cerca de cem anos de idade, e
que também o ventre de Sara já estava sem vigor. Mesmo assim não duvidou nem foi
incrédulo em relação à promessa de Deus, mas foi fortalecido em sua fé e deu glória
a Deus, estando plenamente convencido de que ele era poderoso para cumprir o que
havia prometido.”
João 3:35 “O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos.”
A fé delega responsabilidade. Muitas vezes, o ato de delegar exige mais esforço que fazer a tarefa nós mesmos, porque precisamos de:
• fé para ter acreditar que a pessoa aprenderá o que for preciso;
• paciência para ensinar e acompanhar o progresso da pessoa;
• humildade para considerar que a tarefa pode ser tão bem feita, ou até melhor, que se nós mesmos a fizéssemos;
• graça e misericórdia para continuar ensinando quando o resultado alcançado não for esperado.
Sentir que outras pessoas confiam na sua capacidade e lhe dão chance de executar tarefas importantes motiva tanto! Sentimo-nos amados, confiados, respeitados.
Deus delegou muita responsabilidade para seu filho e para nós também. Adão foi responsável por nomear todos os seres vivos; Moisés foi responsável por libertar o povo de Israel; nós somos embaixadores de Cristo (II Coríntios 5:20), responsáveis por espalhar o bom nome do Reino do nosso Deus!
Como você se sente com a confiança que Deus deposita em você, por meio das tarefas que ele lhe atribui? Você se sente amado por ser cooperador de Deus (I Coríntios 3:9)?
João 10:17 “Por isso é que meu Pai me ama, porque eu dou a minha vida para retomá-la.”
A fé nos ajudar a nos entregarmos. A entrega comunica confiança na capacidade e intenção de outra pessoa de cuidar dos nossos interesses. Jesus se entregou à morte, e morte na cruz, porque confiava que Deus tinha o seu melhor interesse em mente, e que recompensaria o seu sacrifício. Jesus sabia que Deus o receberia, contente, no céu!
A entrega a Deus permite que passemos por situações que nos fazem sofrer porque cremos que Deus tem o nosso bem em mente (Romanos 8:38-39).
Jesus também se entregou a seus amigos, embora estes freqüentemente o machucassem, porque de coração cria que eles o amavam e queriam o seu bem.
Entregar-nos a outras pessoas exige corações prontos para sofrer e macios para perdoar, mas é eficaz para construir intimidade e dependência saudável, tão essenciais para relacionamentos maduros.
Você tem se entregado a Deus e às pessoas? Você comunica suas necessidades a seus amigos e genuinamente crê que querem o seu bem, mesmo que errem com você? O que você pode fazer para estabelecer relacionamentos mais amorosos, onde expectativas saudáveis sejam comunicadas livremente?
João 13:1 “Um pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”
A fé persevera. A passagem do tempo é ótimo teste para nossos relacionamentos, pois revela nossas fraquezas e nos mostra como realmente somos. A intimidade nos relacionamentos, embora desejada por todos, é difícil de ser trabalhada.
Jesus passou por bons e maus momentos com seus discípulos. Ele os viu em seus melhores e piores momentos. Mas seu amor não dependia do desempenho desses homens. Ele os amou em todos os momentos, quando os elogiava ou repreendia, quando os ouvia ou ensinava. Jesus os amou até o fim.
I Pedro 1:8-9 “Mesmo não o tendo visto, vocês o amam; e apesar de não o verem agora, crêem nele e exultam com alegria indizível e gloriosa, pois vocês estão alcançando o alvo da sua fé, a salvação das suas almas.”
A fé se alegra! Que grande privilégio vivermos pela fé e não pela visão, e uma dia vermos, no céu, a realidade daquilo que nos alegrou nessa vida!
Que grande privilégio poder ter visão uns pelos outros e um dia ver essa visão se concretizar na vida daqueles que pudemos tocar!
Como anda a sua fé? Você tem exultado com alegria indizível na sua jornada até o céu?
Parte II: Barnabé
Ouvimos falar pela primeira vez de Barnabé em Atos 4:36
onde o significado do seu nome é explicado: consolador. Na verdade, seu nome verdadeiro
era José, mas os irmãos decidiram renomeá-lo para refletir o seu caráter encorajador.
Em Atos 9:27, Barnabé é responsável por apresentar o
recém-convertido Saulo aos apóstolos em Jerusalém. Essa não era uma tarefa fácil. Saulo
havia pessoalmente prendido e matado vários discípulos, muitos dos quais deviam ter
parentes, também cristãos, em Jerusalém, onde Saulo estava sendo apresentado. Saulo
precisava de um homem que acreditasse nele, que confiasse que ele de fato havia passado
por transformação profunda, e que estivesse disposto a ter visão por sua vida, mesmo que
enfrentasse crítica ou medo de outros discípulos. Esse homem foi Barnabé.
Muitas vezes pensamos em Saulo, posteriormente renomeado de Paulo, como determinado e
impassível. No entanto, ele provavelmente apreciou e talvez tenha até pedido que Barnabé
fosse com ele a Jerusalém e o apoiasse. Talvez Paulo tenha tido dificuldade para enfrentar
as conseqüências de seus pecados passados e precisasse de um amigo, um consolador, que o
ajudasse a lembrar que ele era nova criatura e que havia se tornado um novo homem
(II Coríntios 5:17)! Como é bom ter companhia que acredita em nós e que nos apóia
em momentos difíceis porque acredita que venceremos! Passado a apresentação, Paulo
ganhou a confiança para pregar corajosamente em nome do Senhor também em Jerusalém
(9:28).
Muitas vezes ficamos inseguros e até críticos pela falta de amizades profundas em
nossas vidas, onde haja união, sinceridade, intimidade e sacrifício. Achamos que
ninguém quer nos ter como amigos e que não há nada a fazer. Isso não é verdade. Davi
respondeu ao amor de Jônatas, embora fosse mais fácil desconfiar dele. Afinal, por que
Jônatas estaria agindo daquela forma? Não seria parte de um plano para destruir Davi, que
ameaçava a sua própria sucessão ao trono? No entanto, Davi respondeu à fidelidade, à
sinceridade e ao sacrifício que Jônatas fez por ele. É muito difícil não responder
positivamente a essas coisas. Não precisamos nos render ao fatalismo. É possível termos
união verdadeira em nossas vidas, por meio do “amor, que é o elo perfeito”
Mais tarde, em Atos 11:19, o Espírito do Senhor agiu
para levar a mensagem a Antioquia. Muitos creram e se converteram ao Senhor, e quando
notícias desse fato chegaram aos ouvidos da igreja de Jerusalém, quem eles decidem enviar
para fortalecer os novos cristãos? Barnabé (11:22).
“Este, chegando ali e vendo a graça
de Deus, ficou alegre e os animou a permanecerem fiéis ao Senhor, de todo o coração”
(11:23). O amor que acredita encoraja as pessoas, porque
sabe que existe um potencial de mudança em cada pessoa e que o encorajamento é
como enzima poderosa para ativar mudanças (leia também Hebreus 3:12-14).
Quando há encorajamento, é mais fácil haver conversão. De fato, uma das
conseqüências da chegada de Barnabé foi a conversão de outras pessoas (Atos 11:24)
. Nós encorajamos nossos amigos que estudam a Bíblia? Podemos ser firmes com o pecado
e em dar direções e ao mesmo tempo encorajar com o progresso que temos visto, com as
características espirituais que existem nas pessoas, entre outras coisas. Nós
acreditamos que as pessoas vão mudar o que precisam mudar? Alguns pecados são mais
difíceis de vencer que outros; ter amigos cheios de fé por nós ajuda muito!
Em outra situação, Barnabé e Saulo foram escolhidos para levar ofertas de ajuda aos
irmãos da Judéia (11:30). Quando voltaram, trouxeram com eles João Marcos, que muitos
acreditam ter sido o autor do evangelho de Marcos. Um pouco depois, o Espírito Santo
separou Barnabé e Saulo para uma viagem missionária (Atos 13:2),
e João Marcos foi com
eles como auxiliar (13:5). No entanto, João logo os abandonou e voltou para Jerusalém
(13:13). A Bíblia não relata as razões pelas quais ele fez isso, mas talvez estejam
relacionadas à pressão da missão e à pouca idade e experiência de João. Algum tempo
depois, após Paulo e Barnabé terem retornado de sua primeira viagem missionária, eles
foram a Jerusalém para lidar com questões que atrapalhavam o avanço do evangelho. Lá,
quiseram voltar às igrejas onde haviam pregado para saber como os irmãos estavam indo
(Atos 15:36). Barnabé quis levar João Marcos consigo, mas Paulo refutou a idéia, de tal
modo que se desentenderam fortemente e cada um seguiu seu próprio caminho, Paulo levando
Silas e Barnabé, João Marcos. O ponto aqui não é analisar quem estava certo, ou até mesmo
se havia alguém certo, mas atentar para a fé que Barnabé teve em João Marcos. Mesmo que
suas razões para ter abandonado o campo missionário tenham sido pouco honrosas, Barnabé
acreditou que aquele jovem poderia mudar e, por isso, deveria ter outra chance e o
levou consigo. Não lemos mais nada sobre Barnabé ou João Marcos na narrativa de Atos,
o que poderia nos levar a pensar que Paulo de fato tinha razão ao não ter querido levar
João Marcos consigo. No entanto, quando lemos I Coríntios, nos deparamos com outra
realidade. A primeira viagem missionária aconteceu nos anos de 48 e 49 d.C. Paulo e
Barnabé foram a Jerusalém no ano de 50 d.C., quando re-encontraram João Marcos.
Paulo escreveria I Coríntios aproximadamente cinco anos depois, mas em I Coríntios
9:6, vemos que Barnabé continuava sendo parceiro do evangelho, junto com Paulo!
Anos depois do desentendimento que tiveram, ainda continuavam amigos. O mais
impressionante, no entanto, é pensar no efeito que a fé e o encorajamento de
Barnabé tiveram no próprio João Marcos. Paulo escreveu Colossenses no ano de 60
d.C., e comenta que Marcos (provavelmente João Marcos) enviava saudações àquela
igreja (Colossenses 4:10). Naquele mesmo ano, na carta a Filemon, menciona que
Marcos era seu cooperador (Filemon 1:24). Dois
anos mais tarde, Paulo estava novamente preso, e escreve II Timóteo. Lá
comenta que Marcos lhe é útil no
ministério (II Timóteo 4:11) e que gostaria de
sua ajuda! João Marcos, talvez inexperiente e imaturo em 48 d.C., tornou-se cooperador do grande apóstolo no
seu trabalho missionário.
Irmãos, acreditemos nas pessoas. Que nosso amor que acredita forneça consolo e
encorajamento aos outros ao nosso redor, e que chame à existência na vida dos
outros coisas que não existem, como se existissem.