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O amor une
Jorge Bittencourt


Parte I: Princípios fundamentais
I Coríntios 13:7
Os ligamentos e juntas do corpo humano são a força que mantêm o corpo humano unido (Colossenses 2:19). Sem eles, haveria desordem total e, conseqüentemente, morte. Da mesma forma, espiritualmente, precisamos de uma força capaz de nos manter unidos. A palavra no grego traduzida por elo, sundesmos, é a mesma que foi traduzida por ligamento em Colossenses 2:19. A Bíblia descreve o amor como sendo essa força, poderosa para manter nossos relacionamentos fortes e vibrantes e para nos manter unidos à Cabeça, que é Cristo. Sem união é impossível manter-se unido a Cristo. Sem união é impossível efetuar crescimento.
João 17:23 “Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste.”
De acordo com Jesus, a esperança que o mundo tem de saber que foi Deus quem enviou Jesus depende da nossa união como discípulos. Vamos analisar algumas maneiras práticas que nos ajudam a sermos unidos.

Sinceridade
Romanos 12:9 “O amor deve ser sincero.”
Sinceridade é a base do relacionamento, a coluna da verdade, sem o qual todo o edifício rui em momentos de crise. Ser sincero está diretamente ligado ao amor da verdade, que tem o poder de nos salvar (II Tessalonicenses 2:10). Ser sincero nos chama a expressar o que sentimos e pensamos realmente e a não enganar os outros com falas e ações que não representam a nós mesmos. Você é sincero em seus relacionamentos? Você ama a verdade sobre você mesmo e sobre os outros, mesmo quando ela dói? A sinceridade dá força para confessarmos pecados e revelarmos o que há em nosso coração, mesmo que fiquemos envergonhados dessas coisas. Ao invés de nos separar, crescemos em nossa comunhão quando somos sinceros (I João 1:7). A sinceridade dá poder para nos negarmos. Quando somos chamados por Deus a obedecer e, ao analisar sinceramente nossos corações, vemos que não estamos onde deveríamos estar, podemos falar abertamente com Deus, identificar as razões pelas quais não queremos obedecer, e agir em cima das causas verdadeiras que nos estão nos afastando dele. Lidamos com as raízes do coração, suas intenções e pensamentos e apunhalamos o pecado em sua origem (Mateus 15:17-20, Provérbios 4:23).

Intimidade
Filipenses 2:1-2 “... completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude.”
Deus nos chama a termos o mesmo modo de pensar. Isso não significa que teremos as mesmas opiniões sobre todas as coisas. Deus nos criou diferentes e instituiu princípios de liderança para nos ajudar a lidar com essas diferenças de maneira espiritual e a causar impacto neste mundo. Paulo descreve o “mesmo modo de pensar” a que a escritura se refere nos versículos seguintes: não fazer nada por ambição egoísta, considerar os outros superiores a si mesmos, cuidar dos interesses dos outros, ter a humildade de Jesus. Todas essas coisas pressupõem intimidade. Intimidade significa “vida particular”. Ser íntimo de alguém é convidá-la para fazer parte do seu mundo privado, conhecer quem você é, do que você gosta. Sem intimidade, é difícil, senão impossível, termos o mesmo modo de pensar e, assim, estarmos unidos. Como você encara a união entre os discípulos? Você nota que é impossível haver união em um grupo sem que haja intimidade entre os indivíduos? Jesus construiu união na igreja ao se relacionar intimamente com alguns poucos homens. O elo que se forma em um relacionamento íntimo e espiritual é poderoso para construir união. Há alguém com quem você quer ter mais intimidade? O que está atrapalhando isso?
 
Sacrifício
Colossenses 3:13 “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou.”
Antes éramos inimigos de Deus (Colossenses 1:21), mas Jesus nos tornou seus amigos. O preço que Jesus pagou por essa união foi o escândalo da cruz. Da mesma forma, éramos inimigos uns dos outros, mas Deus nos tornou irmãos. Qual o preço que precisamos pagar por essa união? Sacrifício. Sacrifício para perdoar (“Perdoem como o Senhor lhes perdoou”). Sacrifício para aceitar as fraquezas dos outros sem sermos indiferentes. A indiferença não lida com os problemas (Provérbios 24:11-12), enquanto aceitar as fraquezas o faz, mas com amor e paciência (Romanos 15:7). Sacrifício para priorizar pessoas acima de coisas. Sacrifício para ... (complete essa frase com áreas onde você precisa crescer em sacrifício para construir mais união em seus relacionamentos).

Parte II: Jônatas
Jônatas foi o primogênito do rei Saul (I Samuel 14:49) e tinha o direito natural à sucessão do trono. Jônatas tornou-se o melhor amigo de Davi (18:1) e se submeteu a ele, quando viu que Deus o havia ungido para ser o próximo rei de Israel (18:4).
Jônatas só conseguiu alcançar tão grande amizade com Davi por ter lidado com seu coração e ter buscado o interesse dos outros acima dos dele próprio. Em última instância, a união verdadeira só existe quando duas pessoas se esvaziam de si mesmas (Filipenses 2:7) por uma causa maior. João Batista entendeu esse princípio, alguns séculos mais tarde. Quando Jesus iniciou seu ministério e muitos começaram a segui-lo, alguns ficaram incomodados e questionaram a João, ao que ele respondeu: “Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado dos céus. Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele. A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa. É necessário que ele cresça e que eu diminua.” Que homem nobre! Que coração entregue a Deus! João Batista podia ter causado divisão seriíssima na igreja caso não sacrificasse a sua própria importância em favor do Reino de Deus, mas optou por colocar o Senhor em primeiro lugar. Por ter se submetido a Deus, foi chamado por Jesus como o maior profeta que já pisou na terra (Mateus 11:8-11).
De volta a Jônatas, ele também poderia ter iniciado séria divisão no reino de Israel, caso não tivesse se submetido. Poderia ter sido outra pedra no calcanhar de Davi, mas foi uma alegria e um conforto para ele. Jônatas gostava de Davi ( I Samuel 19:1); falava bem dele aos outros (19:4); foi fiel e leal a ele (20:4, 17); o defendeu em sua ausência (20:32); se entristeceu por sua causa (20:34); e o ajudou a encontrar forças em Deus em momentos muito difíceis para Davi (23:16)! Que amigo! Escolha uma ou duas áreas em que Jônatas amou Davi e imite-o em seus relacionamentos.
Muitas vezes ficamos inseguros e até críticos pela falta de amizades profundas em nossas vidas, onde haja união, sinceridade, intimidade e sacrifício. Achamos que ninguém quer nos ter como amigos e que não há nada a fazer. Isso não é verdade. Davi respondeu ao amor de Jônatas, embora fosse mais fácil desconfiar dele. Afinal, por que Jônatas estaria agindo daquela forma? Não seria parte de um plano para destruir Davi, que ameaçava a sua própria sucessão ao trono? No entanto, Davi respondeu à fidelidade, à sinceridade e ao sacrifício que Jônatas fez por ele. É muito difícil não responder positivamente a essas coisas. Não precisamos nos render ao fatalismo. É possível termos união verdadeira em nossas vidas, por meio do “amor, que é o elo perfeito”

Escritura a decorar: João 17:22-23.

 
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