Parte I: Princípios fundamentais
I Coríntios 13:7
Os ligamentos e juntas do corpo humano são a força que mantêm o corpo humano unido
(Colossenses 2:19). Sem eles, haveria desordem total e, conseqüentemente, morte.
Da mesma forma, espiritualmente, precisamos de uma força capaz de nos manter unidos.
A palavra no grego traduzida por elo, sundesmos, é a mesma que foi traduzida por
ligamento em Colossenses 2:19. A Bíblia descreve o amor como sendo essa força, poderosa
para manter nossos relacionamentos fortes e vibrantes e para nos manter unidos à Cabeça,
que é Cristo. Sem união é impossível manter-se unido a Cristo. Sem união é impossível
efetuar crescimento.
João 17:23 “Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me
enviaste, e os amaste como igualmente me amaste.”
De acordo com Jesus, a esperança que o mundo tem de saber que foi Deus quem enviou Jesus
depende da nossa união como discípulos. Vamos analisar algumas maneiras práticas que
nos ajudam a sermos unidos.
Sinceridade
Romanos 12:9 “O amor deve ser sincero.”
Sinceridade é a base do relacionamento, a coluna da verdade, sem o qual todo o edifício
rui em momentos de crise. Ser sincero está diretamente ligado ao amor da verdade, que tem
o poder de nos salvar (II Tessalonicenses 2:10). Ser sincero nos chama a expressar o que
sentimos e pensamos realmente e a não enganar os outros com falas e ações que não
representam a nós mesmos. Você é sincero em seus relacionamentos? Você ama a verdade
sobre você mesmo e sobre os outros, mesmo quando ela dói?
A sinceridade dá força para confessarmos pecados e revelarmos o que há em nosso coração,
mesmo que fiquemos envergonhados dessas coisas. Ao invés de nos separar, crescemos em
nossa comunhão quando somos sinceros (I João 1:7).
A sinceridade dá poder para nos negarmos. Quando somos chamados por Deus a obedecer e, ao
analisar sinceramente nossos corações, vemos que não estamos onde deveríamos estar, podemos
falar abertamente com Deus, identificar as razões pelas quais não queremos obedecer, e
agir em cima das causas verdadeiras que nos estão nos afastando dele. Lidamos com as
raízes do coração, suas intenções e pensamentos e apunhalamos o pecado em sua origem
(Mateus 15:17-20, Provérbios 4:23).
Intimidade
Filipenses 2:1-2 “... completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude.”
Deus nos chama a termos o mesmo modo de pensar. Isso não significa que teremos as mesmas
opiniões sobre todas as coisas. Deus nos criou diferentes e instituiu princípios de
liderança para nos ajudar a lidar com essas diferenças de maneira espiritual e a causar
impacto neste mundo. Paulo descreve o “mesmo modo de pensar” a que a escritura se refere
nos versículos seguintes: não fazer nada por ambição egoísta, considerar os outros
superiores a si mesmos, cuidar dos interesses dos outros, ter a humildade de Jesus.
Todas essas coisas pressupõem intimidade. Intimidade significa “vida particular”. Ser
íntimo de alguém é convidá-la para fazer parte do seu mundo privado, conhecer quem você
é, do que você gosta. Sem intimidade, é difícil, senão impossível, termos o mesmo modo
de pensar e, assim, estarmos unidos.
Como você encara a união entre os discípulos? Você nota que é impossível haver união
em um grupo sem que haja intimidade entre os indivíduos? Jesus construiu união na igreja
ao se relacionar intimamente com alguns poucos homens. O elo que se forma em um
relacionamento íntimo e espiritual é poderoso para construir união. Há alguém com quem
você quer ter mais intimidade? O que está atrapalhando isso?
Sacrifício
Colossenses 3:13 “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou.”
Antes éramos inimigos de Deus (Colossenses 1:21), mas Jesus nos tornou seus amigos.
O preço que Jesus pagou por essa união foi o escândalo da cruz. Da mesma forma, éramos
inimigos uns dos outros, mas Deus nos tornou irmãos. Qual o preço que precisamos pagar
por essa união? Sacrifício.
Sacrifício para perdoar (“Perdoem como o Senhor lhes perdoou”).
Sacrifício para aceitar as fraquezas dos outros sem sermos indiferentes. A indiferença
não lida com os problemas (Provérbios 24:11-12), enquanto aceitar as fraquezas o faz,
mas com amor e paciência (Romanos 15:7).
Sacrifício para priorizar pessoas acima de coisas.
Sacrifício para ... (complete essa frase com áreas onde você precisa crescer em sacrifício
para construir mais união em seus relacionamentos).
Parte II: Jônatas
Jônatas foi o primogênito do rei Saul (I Samuel 14:49)
e tinha o direito natural à sucessão do trono. Jônatas tornou-se o melhor amigo de
Davi (18:1) e se submeteu a ele, quando viu que Deus
o havia ungido para ser o próximo rei de Israel (18:4).
Jônatas só conseguiu alcançar tão grande amizade com Davi por ter lidado com seu
coração e ter buscado o interesse dos outros acima dos dele próprio. Em última
instância, a união verdadeira só existe quando duas pessoas se esvaziam de si
mesmas (Filipenses 2:7) por uma causa maior. João Batista
entendeu esse princípio, alguns séculos mais tarde. Quando Jesus iniciou seu
ministério e muitos começaram a segui-lo, alguns ficaram incomodados e questionaram a João, ao que ele respondeu: “Uma
pessoa só pode receber o que lhe é dado dos céus. Vocês mesmos são testemunhas de que eu
disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele. A noiva pertence
ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se
de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa.
É necessário que ele cresça e que eu diminua.” Que homem nobre! Que coração entregue a
Deus! João Batista podia ter causado divisão seriíssima na igreja caso não sacrificasse
a sua própria importância em favor do Reino de Deus, mas optou por colocar o Senhor em
primeiro lugar. Por ter se submetido a Deus, foi chamado por Jesus como o maior profeta
que já pisou na terra (Mateus 11:8-11).
De volta a Jônatas, ele também poderia ter iniciado séria divisão no reino de Israel, caso
não tivesse se submetido. Poderia ter sido outra pedra no calcanhar de Davi, mas foi
uma alegria e um conforto para ele. Jônatas gostava de Davi (
I Samuel 19:1); falava bem dele aos outros (19:4);
foi fiel e leal a ele (20:4, 17);
o defendeu em sua ausência (20:32); se entristeceu por
sua causa (20:34); e o ajudou a encontrar forças
em Deus em momentos muito difíceis para Davi (23:16)! Que
amigo! Escolha uma ou duas áreas em que Jônatas amou Davi e imite-o em seus
relacionamentos.
Muitas vezes ficamos inseguros e até críticos pela falta de amizades profundas em
nossas vidas, onde haja união, sinceridade, intimidade e sacrifício. Achamos que
ninguém quer nos ter como amigos e que não há nada a fazer. Isso não é verdade. Davi
respondeu ao amor de Jônatas, embora fosse mais fácil desconfiar dele. Afinal, por que
Jônatas estaria agindo daquela forma? Não seria parte de um plano para destruir Davi, que
ameaçava a sua própria sucessão ao trono? No entanto, Davi respondeu à fidelidade, à
sinceridade e ao sacrifício que Jônatas fez por ele. É muito difícil não responder
positivamente a essas coisas. Não precisamos nos render ao fatalismo. É possível termos
união verdadeira em nossas vidas, por meio do “amor, que é o elo perfeito”
Escritura a decorar: João 17:22-23.