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O amor expulsa o medo
Jorge Bittencourt


Parte I: Personagem biblico
I João 4:18 “No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.”
O medo é uma emoção universal. Sendo emoção, não pode ser eliminado, mas pode ser controlado. O medo não dominado dá origem à covardia, que é um dos pecados que leva as pessoas a morrer espiritualmente (Apocalipse 21:8).
Para entender porque o perfeito amor expulsa o medo, vamos refletir sobre algumas causas do medo. Quando erramos, ficamos com medo das conseqüências (Gênesis 3:10, 18:15); mas o perfeito amor de Deus nos dá a certeza de que seremos tratados com bondade (Salmo 103:8-14, I Crônicas 21:10-13). Quando nos sentimos indignos, ficamos com medo (Gênesis 15:1, 28:17); mas o perfeito amor de Deus nos dá a chance de nos aproximarmos dele com confiança (Hebreus 4:16, 10:19). Por fim, ficamos com medo do futuro e do desconhecido (Gênesis 20:1-8, 21:17); mas o perfeito amor nos assegura que Deus é o nosso protetor (Hebreus 13:6 e soberano líder de todo o universo (Salmo 68:20).
Saul era um rapaz bonito e alto, sem igual entre os israelitas (I Samuel 9:2, 10:23-24) . No começo de sua narrativa como rei, notamos que Saul era humilde (9:21) e se preocupava com os outros (9:5), mas já demonstrava sinais de medo (10:20-24). Saul lutou contra seu medo por toda sua vida (11:1-11, 13:3, 14:52), mas faltou-lhe o elemento mais importante para que pudesse conquistá-lo: um relacionamento íntimo e amoroso com Deus, que afastasse seu medo. Reflita sobre o seu relacionamento com Deus hoje. Ele é íntimo, amoroso? Você acha forças em Deus para afastar seus medos?
Poucos dias após ter sido ungido rei , Saul foi lutar contra os filisteus em Gilgal (13:3-4). Samuel havia ordenado que Saul esperasse por uma semana, para que Samuel pudesse oferecer sacrifícios a Deus. Oferecer sacrifícios era uma prerrogativa do sacerdote do povo, uma das funções exercidas por Samuel naquela época (2:18, 3:1). Saul de fato esperou por Samuel por sete dias (13:8), mas este não chegou. A situação começou a ficar desesperadora, e os soldados começaram a abandonar Saul. Ele, tomado por medo, ofereceu o sacrifício, agindo como tolo (13:13). Pode parecer algo bobo, mas a glória envolvida nas coisas de Deus é tão grande que é capaz de matar aqueles que a tratam com desrespeito (Êxodo 19:10-25, II Samuel 6:1-9). Quando você se sente mais tentado a se render a seus medos?
Por que Saul foi tomado pelo medo? Primeiro, porque provavelmente não lia as escrituras sagradas todos os dias (Deuteronômio 17:18-19). Por isso, não se lembrou da história de Gideão, quando Deus usou apenas 300 homens para derrotar os midianitas (Juízes 7:1-8).
Segundo, Saul não passava tempo adorando a Deus. Foi só algum tempo depois desse incidente que Saul construiu seu primeiro (e possivelmente o único) altar a Deus (I Samuel 14:35). O próprio Saul confessou a Samuel não ter buscado a Deus (13:12). Sem um relacionamento íntimo, intenso e sincero com Deus não conseguimos entregar nossas preocupações, ansiedades e medos a Deus (I Pedro 5:7) e acabamos dominados por nossas emoções.
Foi Jônatas, filho de Saul, que salvou o dia na guerra contra os filisteus (I Samuel 14:1-15). Ele e seu escudeiro atacaram o acampamento filisteu e causaram grande confusão entre eles. Enquanto isso, Saul ordenou que a arca de Deus fosse trazida. Ora, a arca simbolizava a própria presença de Deus. No entanto, quando viu que a confusão aumentava no acampamento do inimigo, desistiu de trazê-la (14:16-23) , demonstrando falta de dependência em Deus. Saul não tinha forças espirituais porque não considerava a opinião de Deus acima da sua. Ele foi tomado por insegurança por não ter deixado que Deus dirigisse a sua vida (Salmo 73:24). Em que situações você tende a afastar a direção de Deus em sua vida?
Também em outros momentos Saul demonstrou o seu medo: desobedeceu a Deus por medo dos seus soldados (I Samuel 15:24) e perseguiu o jovem Davi por medo de ser deposto (18:5-16). Embora Saul ocupasse a posição de rei de Israel, ele não se submeteu ao Rei dos reis. Não deixou que seu coração fosse conquistado por ele e por isso falhou. É possível termos a aparência de espirituais mas, no íntimo, não termos corações rendidos a Deus. Quais algumas armas espirituais que temos para não deixar isso a contecer conosco?

Parte II: Davi
Davi, ao contrário de Saul, foi um homem que se deixou conquistar pelo amor de Deus. Davi foi descrito duas vezes na Bíblia como o homem segundo o coração de Deus (I Samuel 13:13,Atos 13:22). De fato, para Davi, o amor de Deus era melhor que a própria vida (Salmo 63:3).
Davi foi ungido para ser rei de Israel em I Samuel 16 quando, acredita-se, ainda tinha menos de 20 anos! Talvez ali, naquele momento em que estava sendo ungido, ele tenha se sentido bem importante, mas é certo que, dentro de pouco tempo, desejaria não ter sido escolhido como rei. De fato, a partir daquele momento, Davi passaria mais de uma década sendo perseguido por Saul incessantemente, desde a sua adolescência até completar trinta anos, quando finalmente se tornou o rei de Israel (II Samuel 5:4).
A violência emocional, física e mental que Davi sofreu de Saul deu gênese à metade do livro dos Salmos. Pelo menos setenta e três dessas músicas foram compostas por Davi, a sua maioria em momentos de dor e de medo. Vamos analisar alguns desses salmos e o contexto que levou Davi a escrevê-los.

Salmo 55
O Salmo 55 pode ter sido escrito durante a fuga de Davi do seu filho Absalão, que tomou o trono à força e quis matar seu pai, ou durante suas fugas de Saul. É uma oração cheia de fervor que expressa angústia profunda e sincera de um coração tomado por medo e dor. Como Davi reagiu ao medo? Sendo sincero e expressando a Deus o que realmente estava em seu coração (v. 8-11, 15); chorando (v. 17); clamando a Deus incessantemente ( v. 16-17); assegurando-se de pensamentos verdadeiros sobre Deus (v. 18-19, 22-23).

Salmo 56
O Salmo 56 foi escrito quando Davi, fugindo de Saul, foi à Gate, cidade dos filisteus (I Samuel 21:10-15). Davi provavelmente não lembrou de que, havia pouco tempo, tinha matado o melhor dos seus guerreiros (I Samuel 17). Quando percebeu o perigo maior que corria ali, fingiu-se de louco. Davi ficou com medo (Salmo 56:1-3), mas o combateu confiando em Deus (v. 3), entregando o controle de sua vida a Deus (v. 4) e oferecendo sacrifícios de gratidão a Deus (v. 12-13).

Salmo 57
Davi e Saul tiveram muitas oportunidades similares, mas um decidiu confiar em si mesmo e rejeitar um relacionamento íntimo e próximo a Deus, enquanto o outro o considerou melhor que a própria vida. Com quem temos sido mais parecidos? Temos sido sinceros com Deus, clamado a ele, oferecendo sacrifícios de gratidão e louvando o seu nome?
Escritura a decorar: I João 4:18..




 
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