Parte I: Personagem biblico
I João 4:18 “No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque
o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.”
O medo é uma emoção universal. Sendo emoção, não pode ser eliminado, mas pode ser
controlado. O medo não dominado dá origem à covardia, que é um dos pecados que leva
as pessoas a morrer espiritualmente (Apocalipse 21:8).
Para entender porque o perfeito amor expulsa o medo, vamos refletir sobre algumas
causas do medo. Quando erramos, ficamos com medo das conseqüências (Gênesis 3:10,
18:15); mas o perfeito amor de Deus nos dá a certeza de que seremos tratados com
bondade (Salmo 103:8-14, I Crônicas 21:10-13). Quando nos sentimos indignos, ficamos
com medo (Gênesis 15:1, 28:17); mas o perfeito amor de Deus nos dá a chance de nos
aproximarmos dele com confiança (Hebreus 4:16, 10:19). Por fim, ficamos com medo do
futuro e do desconhecido (Gênesis 20:1-8, 21:17); mas o perfeito amor nos assegura
que Deus é o nosso protetor (Hebreus 13:6 e soberano líder de todo o universo
(Salmo 68:20).
Saul era um rapaz bonito e alto, sem igual entre os israelitas (I Samuel 9:2, 10:23-24)
. No começo de sua narrativa como rei, notamos que Saul era humilde (9:21) e se
preocupava com os outros (9:5), mas já demonstrava sinais de medo (10:20-24). Saul
lutou contra seu medo por toda sua vida (11:1-11, 13:3, 14:52), mas faltou-lhe o
elemento mais importante para que pudesse conquistá-lo: um relacionamento íntimo e
amoroso com Deus, que afastasse seu medo. Reflita sobre o seu relacionamento com Deus
hoje. Ele é íntimo, amoroso? Você acha forças em Deus para afastar seus medos?
Poucos dias após ter sido ungido rei , Saul foi lutar contra os filisteus em Gilgal
(13:3-4). Samuel havia ordenado que Saul esperasse por uma semana, para que Samuel
pudesse oferecer sacrifícios a Deus. Oferecer sacrifícios era uma prerrogativa do
sacerdote do povo, uma das funções exercidas por Samuel naquela época (2:18, 3:1).
Saul de fato esperou por Samuel por sete dias (13:8), mas este não chegou. A situação
começou a ficar desesperadora, e os soldados começaram a abandonar Saul. Ele, tomado
por medo, ofereceu o sacrifício, agindo como tolo (13:13). Pode parecer algo bobo, mas
a glória envolvida nas coisas de Deus é tão grande que é capaz de matar aqueles que a
tratam com desrespeito (Êxodo 19:10-25, II Samuel 6:1-9). Quando você se sente mais
tentado a se render a seus medos?
Por que Saul foi tomado pelo medo? Primeiro, porque provavelmente não lia as
escrituras sagradas todos os dias (Deuteronômio 17:18-19). Por isso, não se
lembrou da história de Gideão, quando Deus usou apenas 300 homens para derrotar
os midianitas (Juízes 7:1-8).
Segundo, Saul não passava tempo adorando a Deus. Foi só algum tempo depois desse
incidente que Saul construiu seu primeiro (e possivelmente o único) altar a Deus
(I Samuel 14:35). O próprio Saul confessou a Samuel não ter buscado a Deus (13:12).
Sem um relacionamento íntimo, intenso e sincero com Deus não conseguimos entregar
nossas preocupações, ansiedades e medos a Deus (I Pedro 5:7) e acabamos dominados
por nossas emoções.
Foi Jônatas, filho de Saul, que salvou o dia na guerra contra os filisteus
(I Samuel 14:1-15). Ele e seu escudeiro atacaram o acampamento filisteu e causaram
grande confusão entre eles. Enquanto isso, Saul ordenou que a arca de Deus fosse trazida.
Ora, a arca simbolizava a própria presença de Deus. No entanto, quando viu que a
confusão aumentava no acampamento do inimigo, desistiu de trazê-la (14:16-23) ,
demonstrando falta de dependência em Deus. Saul não tinha forças espirituais
porque não considerava a opinião de Deus acima da sua. Ele foi tomado por insegurança
por não ter deixado que Deus dirigisse a sua vida (Salmo 73:24). Em que situações você tende a afastar a direção de Deus em sua vida?
Também em outros momentos Saul demonstrou o seu medo: desobedeceu a Deus por medo
dos seus soldados (I Samuel 15:24) e perseguiu o jovem Davi por medo de ser deposto
(18:5-16). Embora Saul ocupasse a posição de rei de Israel, ele não se submeteu ao
Rei dos reis. Não deixou que seu coração fosse conquistado por ele e por isso falhou.
É possível termos a aparência de espirituais mas, no íntimo, não termos corações
rendidos a Deus. Quais algumas armas espirituais que temos para não deixar isso a
contecer conosco?
Parte II: Davi
Davi, ao contrário de Saul, foi um homem que se deixou conquistar pelo amor de Deus.
Davi foi descrito duas vezes na Bíblia como o homem segundo o coração de Deus
(I Samuel 13:13,Atos 13:22). De fato, para Davi, o amor de Deus era melhor que a
própria vida (Salmo 63:3).
Davi foi ungido para ser rei de Israel em I Samuel 16 quando, acredita-se, ainda
tinha menos de 20 anos! Talvez ali, naquele momento em que estava sendo ungido,
ele tenha se sentido bem importante, mas é certo que, dentro de pouco tempo,
desejaria não ter sido escolhido como rei. De fato, a partir daquele momento,
Davi passaria mais de uma década sendo perseguido por Saul incessantemente, desde a
sua adolescência até completar trinta anos, quando finalmente se tornou o rei de
Israel (II Samuel 5:4).
A violência emocional, física e mental que Davi sofreu de Saul deu gênese à metade
do livro dos Salmos. Pelo menos setenta e três dessas músicas foram compostas por
Davi, a sua maioria em momentos de dor e de medo. Vamos analisar alguns desses salmos
e o contexto que levou Davi a escrevê-los.
Salmo 55
O Salmo 55 pode ter sido escrito durante a fuga de Davi do seu filho Absalão, que
tomou o trono à força e quis matar seu pai, ou durante suas fugas de Saul. É uma
oração cheia de fervor que expressa angústia profunda e sincera de um coração tomado
por medo e dor.
Como Davi reagiu ao medo? Sendo sincero e expressando a Deus o que realmente estava
em seu coração (v. 8-11, 15); chorando (v. 17); clamando a Deus incessantemente (
v. 16-17); assegurando-se de pensamentos verdadeiros sobre Deus (v. 18-19, 22-23).
Salmo 56
O Salmo 56 foi escrito quando Davi, fugindo de Saul, foi à Gate, cidade dos
filisteus (I Samuel 21:10-15). Davi provavelmente não lembrou de que, havia pouco
tempo, tinha matado o melhor dos seus guerreiros (I Samuel 17). Quando percebeu o
perigo maior que corria ali, fingiu-se de louco. Davi ficou com medo (Salmo 56:1-3),
mas o combateu confiando em Deus (v. 3), entregando o controle de sua vida a
Deus (v. 4) e oferecendo sacrifícios de gratidão a Deus (v. 12-13).
Salmo 57
Davi e Saul tiveram muitas oportunidades similares, mas um decidiu confiar em si
mesmo e rejeitar um relacionamento íntimo e próximo a Deus, enquanto o outro o
considerou melhor que a própria vida. Com quem temos sido mais parecidos? Temos
sido sinceros com Deus, clamado a ele, oferecendo sacrifícios de gratidão e louvando
o seu nome?
Escritura a decorar: I João 4:18..