Hoje em dia, há muitas igrejas que têm trabalhado arduamente na construção de um ministério
de louvor cada vez mais excelente e grandioso, buscando ter músicos e cantores cada vez
mais preparados e dedicados às canções (louvor). Infelizmente, este serviço corre o risco
de se tornar pecaminoso e sem espiritualidade. Isto acontece quando a motivação e o propósito
estão desviados do seu legítimo alvo.
Assim como a pregação é muito importante, por ser um tempo em que meditamos na Palavra de
Deus, as canções têm seu alto grau de importância, pois refletem o coração dos cristãos
naquele momento. Por isso devemos estar conscientes de que as canções não são um ritual
ou parte de uma cerimônia, mas um reconhecimento de que Deus está ali e, logo, cheios de
gratidão, cantamos de alegria ao Deus vivo, pois é assim que Davi diz no Salmo abaixo.
Mas é fato que os que servem nas canções devem ter muito cuidado para não estarem lá pelo
simples fato de serem reconhecidos.
O Salmo 84:1-2 foi escrito por Davi e é uma nobre expressão
lírica de consagração e amor à casa de Deus e ao seu culto. Ele deixa claro que Deus é um
Deus vivo e por isso ele se alegra intensamente. As canções existem para expressarmos nosso
coração a Deus e isto deve ser feito com plena consciência, vida e não somente emoção.
Houve uma época em que alguns sacerdotes jejuavam no quinto e sétimo mês de cada ano durante um período
de setenta anos, mas o Senhor lhes questionou dizendo: "Acaso foi mesmo para mim que jejuastes? Ou quando
comeis e quando bebeis, não é para vós mesmos que comeis e bebeis?" (Zacarias 7.5-6).
Deus estava mostrando aos sacerdotes que eles haviam perdido a motivação e propósito no que faziam e caído
na profunda religiosidade sem valor que engana muitos corações ainda hoje.
Aqueles sacerdotes estavam jejuando para si mesmos e isto não tinha nenhum valor para Deus.
Semelhantemente, os fariseus do Novo Testamento oravam, jejuavam e davam esmolas com o propósito
de serem vistos e glorificados pelos homens. Tais ações religiosas não tinham nenhum poder espiritual
e seu único efeito era a "boa" impressão que causavam nas outras pessoas (
Mateus 6.1-5; 16-18).
Ao lermos as escrituras acima, percebemos que podemos nos enganar se não estivermos conectados constantemente
com a Palavra de Deus, pois devemos nos questionar constantemente sobre nossas motivações, e nada melhor do
que usar a Bíblia, que revela e julga os nossos pensamentos e intenções ( 2 Pedro 1:20-21).
Em 2 Timóteo 3:16-17, a Bíblia diz que ela é útil e capaz de tornar o homem de Deus apto a praticar toda
boa obra.
O zelo com o nosso coração é primordial, pois não adianta servimos com dedicação se não cuidarmos de nossos
corações, tendo um péssimo relacionamento com Deus. É bem certo que nosso louvor não passará de um zumbido
aos ouvidos de Deus. A maior luta de quem se dedica a servir nas canções é lidar com os sentimentos que
muitas vezes oscilam bastante, devido às tribulações ou ao próprio coração, sem falar nos pecados cometidos
que trazem desânimo e tristeza.
Em Provérbios 4:23 lemos que devemos guardar nosso coração, isto é, "guardar a nossa mente". A pureza da
mente é o primeiro requisito de uma vida sem pecado. Da abundância do coração (a mente) procedem o bem
ou o mau de nossa vida (Lucas. 6: 45). O pecado consiste em satisfazer os desejos do coração
(Tiago 1:14-15), que é perverso e enganoso (Jeremias 17: 9). Por isso é necessário ser diligente em
manter a mente entregue a Deus, o único que a pode manter pura (Efésios 4: 17; 23). Assim como os sacerdotes
e Fariseus, se não nos atentarmos ao nosso coração, podemos começar a servir ou estarmos servindo com
um propósito e/ou motivação errada.
Jesus, ao servir, não buscava seus próprios interesses e não estava preocupado em receber elogios, ser
reconhecido para sua honra e glória, e estas são características que todos nós que servimos nas canções
devemos adquirir. Eu acredito que o fato de pessoas perderem o propósito e motivação no ministério de
música da igreja é porque já não têm um bom relacionamento com Deus e muito menos andam praticando o amor
ao próximo. Gostaria de enfatizar que é muito importante que o líder do coral (grupo de louvor) seja zeloso
e amoroso com seus liderados. Mas neste artigo não irei tratar destas questões, caso queira entender melhor
sobre responsabilidades do líder e liderado, leia o artigo “
O nosso casamento com Deus na Igreja (líder e
seguidor )” de Jorge Bittencourt. Devemos nos lembrar que Jesus viveu para servir as pessoas e para dar
sua vida em resgate de muitos: “... assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir,
e dar a sua vida em resgate de muitos." (
Mateus 20:28). A vida de Cristo foi em primeiro lugar
uma vida de serviço. Durante o curso de seu ministério, nunca tomou para si nenhum dos privilégios que
os rabinos costumavam atribuir-se. Não tinha nada que pudesse chamar seu, e nunca exerceu o poder divino
em seu próprio benefício.
Algumas escrituras sobre servir:
Lucas 22:24-27 - "...antes o maior entre vós seja como o menor...”
Atos 20: 7-24 - "...servindo ao Senhor com toda a humildade..."
Efésios 6:6-8 - "...não servindo somente à vista, como para agradar aos homens..."
Hebreus 6:9-12 - "...pois servistes e ainda servis aos santos..."
Algumas escrituras sobre dar:
Mateus 10:7-8 - "... de graça recebestes, de graça dai..."
Mateus 14:15-16 - "... dai-lhes vós de comer..."
Atos 20:35 - "... coisa mais bem-aventurada é dar do que receber..."
II Corintíos 8: 1-5 - "... e ainda acima das suas posses, deram voluntariamente..."
Na carta escrita aos Filipenses, Paulo exorta a igreja a não fazer nada por ambição egoísta ou por
vaidade, mas que humildemente consideremos os outros superiores a nós mesmos. Se você deseja ser
um músico que louva a Deus e busca agradá-lo com seu serviço na igreja, é fundamental ter humildade
para pedir ajuda, confessar pecados (Tiago 5:16; Provérbios 28:13) e ter sempre em mente que,
diferentemente do que o mundo prega, a humildade antecede a honra (Provérbios 15:33), e Jesus é
o exemplo que somos encorajados a imitar.
Filipenses 2:5-11 - Cristo abandonou uma glória encantadora, cobriu-se
com a forma humana mais humilde e se ocupou das coisas mais modestas para que os homens pudessem ser
salvos. Ele era Deus (João 1:1) e mesmo em forma humana era merecedor de
toda glória e dono de muito poder. Paulo destaca estas coisas para descrever de maneira mais profunda a
humilhação voluntária de Cristo. O apóstolo trata da condição de igualdade de Cristo com Deus, e expõe o
pensar de Cristo para dar uma visão interior da mente do Salvador e assim capacitar os filipenses para que
tentem imitar esse modo de pensar. Ele expressa que Cristo era consciente de sua igualdade com Deus, no
entanto resolveu abandonar a glória inerente a essa altíssima condição para cumprir seu compassivo
propósito de salvar a humanidade perdida. Cristo esvaziou a si mesmo e assumiu os atributos essenciais
de um escravo. Assim como a característica principal de um escravo era a obediência total, que obedecia
docilmente, também o Filho, como homem, comprometeu-se a obedecer ao Pai (Hebreus 5: 8).
Não se apegou a uma soberania divina, pois se dedicou a servir, o que chegou a ser a paixão dominante de sua
vida. Toda sua vida esteve subordinada à vontade de seu Pai, e assim devem ser nossas vidas. A vida de Cristo
supera o entendimento humano e é uma parte do grande "mistério da piedade" (1 Timóteo 3:16).
1- Esvaziou-se - do orgulho, da soberba, do "eu", do egoísmo, das impurezas.
2- Tomou forma de servo – doava-se em favor das pessoas.
3- Humilhou-se - renunciou aos seus direitos.
4- Foi obediente - obediência incondicional.
Muitas pessoas podem querer se dedicar ao louvor com o propósito de buscarem glória para si mesmas.
E mesmo quando o integrante do coral (equipe de louvor) não está buscando tal glória, ela lhe é
oferecida constantemente. É preciso então um cuidado extremo, pois estamos diante do risco da idolatria.
Isto ocorre quando o homem é adorado no lugar de Deus. É incrível imaginarmos que isso pode acontecer
em nossos cultos. Aproveito para expressar que por mais que alguém seja um ótimo líder de canções, é
preciso ter zelo da parte da congregação para não tornar elogios pedras de tropeço. É preciso saber
encorajar e não engrandecer as pessoas, em especial quem está liderando as canções. Ao mesmo tempo,
quem está exposto e exercendo esta função deve saber lidar com isto de maneira espiritual
(Hebreus 10:19-22). O orgulho foi que levou Lúcifer, o querubim guardião,
a desejar glórias para si mesmo (Isaías 14:12-15;
Ezequiel 28:13;15) e por isso ele foi lançado para longe da presença
de Deus. O apóstolo Paulo advertiu Timóteo, mostrando que os que trabalham na obra do Senhor correm o
risco de cair na mesma condenação do Diabo (I Timóteo 3:6). Deus não dá
a Sua glória nem a divide com ninguém (Isaías 42:8). Vemos que o assunto, além de sério, é muito
grave!
No livro de Atos temos o exemplo do rei Herodes, que, ao ser louvado pela multidão, não deu glória a Deus.
Tomou para si toda a honra e por isso foi devorado por vermes (Atos 12:23).
Nabucodonozor, por motivo semelhante, foi humilhado e passou a pastar como os animais (Daniel 4:25).
Isto deve nos fazer questionar todos os nossos atos relacionados a Deus. São feitos mesmo para Ele? Ou
estamos preocupados em agradar ao público? Estamos buscando nossa própria glória? Será que o nosso interesse
está no prazer em tocar ou cantar? Se for assim, nosso propósito e motivação estão errados.
Devemos ter em mente que Deus nos chamou quando ainda éramos pecadores e que não há na terra nenhum justo
(
Romanos 3:10), mas somos justificados por meio da fé em Jesus e purificados
dos nossos pecados por meio de seu sangue (
Romanos 3:21-26). Você e eu não
fomos chamados por causa de nosso talento, bondade, justiça e sim pelo fato de sermos dignos de misericórdia. Esta deve ser a nossa maior motivação e propósito: a salvação que vem pela graça de Deus que é demonstrada pelo sacrifício de Jesus na cruz por nós pecadores.
Que possamos ser pessoas dedicadas ao nosso ministério de música da igreja e que toquemos e cantemos
bem, mas que ao fazermos estas coisas, imitemos o exemplo de Cristo.
"Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória
de Deus". (I Coríntios 10:31).
"E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por
ele graças a Deus Pai" (Colossenses 3:17.)
"Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua
verdade." (Salmo 115:1)