"Certo dia os sentimentos humanos reuniram-se para brincar. Depois que o Tédio
bocejou três vezes porque a Indecisão não chegava a nenhuma conclusão a Desconfiança
estava tomando conta, a Loucura propôs que brincassem de esconde-esconde. A Curiosidade
quis saber todos os detalhes do jogo e a Intriga começou a cochichar com os outros
que certamente alguém ali iria trapacear.
O Entusiasmo saltou de contentamento e convenceu a Dúvida e a Apatia, ainda sentadas
num canto, a entrarem no jogo. A Verdade achou que isso de esconder não estava com
nada, a Arrogância fez cara de desdém, pois a idéia não tinha sido dela e o Medo
preferiu não se arriscar: "Ah, gente, vamos deixar tudo como está", e como sempre
perdeu a oportunidade de ser feliz.
A primeira a se esconder foi a Preguiça, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra,
ali mesmo onde estava. O Otimismo escondeu-se no arco-íris e a Inveja se ocultou
junto com a Hipocrisia, que sorrindo fingidamente atrás de uma árvore estava odiando
tudo aquilo.
A Generosidade quase não conseguia se esconder porque era grande e ainda queria
abrigar meio mundo, a Culpa ficou paralisada, pois já estava mais do que escondida
em si mesma, a Sensualidade se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear
o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem fingida, o Egoísmo achou
um lugar perfeito onde não cabia ninguém mais.
A Mentira disse para a Inocência que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente
acabou afogada, a Paixão meteu-se na cratera de um vulcão ativo, e o Esquecimento
já nem sabia o que estavam fazendo ali.
Depois de contar até 99, a Loucura começou a procurar. Achou um, achou outro, mas
ao remexer num arbusto espesso ouviu um gemido: era o Amor, com os olhos furados
pelos espinhos.
A Loucura o tomou pelo braço e seguiu com ele, desde então, o Amor é cego e a Loucura
o acompanha."
(Autor desconhecido)
A estória acima nos mostra como cada sentimento age e nós sabemos que eles são um
grande desafio na vida de um cristão, pois somos chamados a negar-nos a nós mesmos
e a carregar nossa cruz diariamente. Jesus deixa claro na oração feita por ele no
Getsemani que os sentimentos são fortes, mas devemos fazer a vontade de Deus. A
Bíblia relata a vida de muitos homens que tiveram momentos de lutas internas para
obedecer a Deus, pois alguns de seus sentimentos lutavam para dominá-los e, conseqüentemente,
não cumprirem a vontade de Deus.
É verdade que há sentimentos que edificam em certos momentos e circunstâncias de
nossas vidas, mas todos precisam sempre serem controlados para que possamos viver submissos à vontade de Deus.
Na prática sabemos que não é nada fácil lidar com nossos sentimentos, e Deus, sabendo
disso, nos deu livre acesso até Ele (Hebreus 10:19-22)
por meio do sangue de Jesus para que possamos entrar em sua presença com sinceridade
de coração e assim conseguirmos ser purificados e lavados para permanecermos diante
DELE. Deus também deixou, por meio de Jesus, a promessa de que haveria um espírito
consolador, que convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João
16:7-8) e este espírito é também de poder, amor e domínio próprio (2 Timóteo 1:7). Deus sempre nos deu tudo do que precisamos para sermos
fiéis, na verdade é como Paulo diz, que Deus já nos deu mais do que pedimos ou pensamos.
(Efésios 3:20)
Você já pensou que poderia estar com Deus e não ser salvo por falta de intimidade?
Vamos estudar na Bíblia sobre quatro homens que estiveram com Deus e Jesus.
1. A falta de confiança revela a dúvida e pode levar à morte.
(Gênesis 3:4-6)
1.1. Entre o mandamento e
a obediência, existe Satanás (v. 1).
“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens
que o Senhor Deus tinha feito”.
A serpente, identificada como Satanás, trouxe ao coração de Eva uma dúvida e a dúvida
fizera nascer um desejo em seu coração. É impressionante pensar em como foi fácil
para eles pecarem, mas se analisarmos melhor, veremos que tudo está baseado na falta
de intimidade de Eva para com Adão e de ambos para com Deus.
As palavras que Deus dissera foram questionadas por uma serpente, e isto trouxe
dúvida ao coração de Eva e conseqüentemente surgiram desejos em seu coração a ponto
de ela não resistir e comer do fruto. A mesma coisa acontece conosco quando estamos
servindo a Deus e não temos convicção do que estamos fazendo, surge em nosso coração
o sentimento de dúvida e conseqüentemente começamos a valorizar o que não deveríamos
fazer, a ponto de sermos completamente seduzidos pelos maus desejos e pecarmos.
O respeito que revela a intimidade, não acontecia entre Adão e Eva, pois Deus a
havia feito para ser companheira e cooperadora no serviço dado por Ele a Adão, mas
Eva, em momento algum, segundo as escrituras, pensou em relatar para Adão o que
estava acontecendo ou expressar suas dúvidas.
Eva não considerava a autoridade de seu marido sobre ela, pois agiu conforme seus
sentimentos e desejos. Mas e o senhor Adão, responsável pelo jardim, o homem que
deveria cuidar das coisas de Deus, o que ele fez?
(versículo 6) “Vendo a mulher
que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável
para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, que
estava com ela, e ele comeu”.
O fato de muitas mulheres se voltarem contra seus maridos, provavelmente é porque
já não há intimidade no relacionamento do casal e por não sentirem mais o cuidado
deles sobre suas vidas, que as fazem se sentir protegidas por eles e ajudadas a
amarem a Deus. O homem deve ajudar sua mulher no relacionamento com Deus, a lidar
com seus sentimentos de forma que ela possa lidar com as investidas de satanás e
ser uma ótima auxiliadora, não deixá-la ser somente sua parceira, mas deve ser parceiro
dela também. O homem que estava com Deus, não parecia ter intimidade com Ele, pois
em momento algum procurou auxílio do seu Criador e Senhor para lidar com os conflitos
externos e internos que estavam acontecendo.
Jesus deixou bem claro as pessoas que acreditavam nele que somente estaremos ligados
a ele se permanecermos em sua Palavra. (João 8:31;Romanos 10:17).
Qual a dúvida que você tem em relação a Deus?
Será que você faz o que Deus te diz com convicção ou você segue em frente cheio
de dúvidas?(Atos 17:10-12)
A dúvida é uma das armas poderosas de Satanás, pois ela foi o início do caminho
para o pecado.
2. O coração maldoso de Caim. (Gênesis 4:3-8)
2.1. A maldade que brota no
coração. (v.6).
“Então lhe disse o Senhor: Por que te iraste? E por que descaiu
o teu semblante?”.
A estória de Abel e Caim, o primeiro assassinato no mundo e a lição de que as obras
muitas vezes não revelam os sentimentos que existem em nossos corações. Os dois
irmãos estavam ofertando a Deus, e nós podemos observar que aparentemente os dois
eram esforçados e queriam agradá-lo, mas havia algo mais profundo no coração de
Caim que veio à tona quando Deus o frustrou. (v. 5:
“ E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante”).
Mas por que Caim irou-se? Esta resposta é dada em Tiago 1:13-15,
o mal desejo que nasce no coração e seduz dando luz ao pecado, foi assim que aconteceu
com Caim e assim acontece conosco, mas o ponto que devemos refletir é em por que
Caim não expressou a Deus seus sentimentos. Deus falava com ele e ele conhecia a
Deus, mas o fato é que Caim não se deixava ser conhecido por Deus.
A oferta de Caim não foi aceita porque não havia sinceridade e suas obras eram más. (1 João 3:12: “não sendo como
Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que o matou? Porque as suas
obras eram más e as de seu irmão, justas”.).
Você, talvez, faz várias coisas, há muitos anos, a Deus, fica ingrato com muitas
coisas que não são aceitas por Ele e continua seguindo em frente como se não tivesse
nada a lidar no seu coração, talvez era assim que Caim vivia, servindo a Deus sem
sinceridade, pois em qualquer relacionamento a intimidade só cresce se houver sinceridade
e Deus espera isto de mim e de você para poder nos ajudar a vencer o mal que há
em nós, é por isso que temos o conselho de cuidar bem do nosso próprio coração,
pois dele depende toda nossa vida (Provérbios 4:23).
Acredito, eu, que Adão e Eva estavam tendo muita dificuldade na criação dos filhos,
pois provavelmente não haviam ensinado o que tinham aprendido com Deus ou os ajudado
a terem um bom coração, e houve omissão dos pais em conhecerem melhor seus filhos
e os ajudarem a lidar com suas dificuldades.
Nós temos buscado falar do nosso coração para os da nossa família (igreja)?
Caim estava servindo a Deus como Abel, e assim podemos nos enganar com as obras
e esquecermos de que Deus vê o coração.
A liberdade que Deus nos dá para tomar decisões é tamanha que Ele lembra o caminho
e alerta Caim sobre o mal, dando a ele a decisão de seguir ou não pelo caminho do
mal.
O que podemos aprender com Caim é que quando nosso coração é revelado, nossa tendência
é se fechar e não lutar contra nossos sentimentos e fazermos o mal que desejamos.
3. Jonas e sua justiça. (Jonas 1:1-3)
3.1. O sentimento que levou
Jonas à desobediência. (v.2).
“Levanta-te,
vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela,
porque a sua malícia subiu até mim”.
Ao receber o chamado de Deus, Jonas pensou em tudo o que seu povo sofrera por causa
dos assírios. Eles eram considerados sanguinários e brutais. Gostavam de inventar
novas formas de torturas para amedrontar seus inimigos. Nesta época, Israel vivia
em extrema pobreza e um de seus grandes inimigos era os Assírios.
O profeta Jonas viveu numa época muito ruim, sob um rei que fazia o que era mal
diante do Senhor (2 Reis 14:24).
Os sentimentos de Jonas eram conhecidos por Deus, mas Jonas não considerou isto
e preferiu calar-se e carregar sozinho suas razões e não a de Deus.
Assim como Jonas, nós somos chamados por Deus e temos sentimentos, mas o que temos
escolhido obedecer? Sua Palavra ou nossos sentimentos?
Ele sabia quem era Deus, mas não tinha um bom relacionamento com o Senhor. A oração
é a maior intimidade que temos com Deus, pois é o momento que buscamos uma comunicação
direta com Ele, ao contrário da Bíblia que é o momento em que Deus se comunica conosco.
A sinceridade nos aproxima de Deus e por Seu amor nos concede misericórdia (Êxodo 32:11-14). Nossos sentimentos, mesmos sendo explicáveis,
se escondidos se torna o caminho certo para o pecado.
Por que Jonas não se abriu com Deus e expressou o que se passava em seu coração?
Muitas vezes nós observamos a desobediência sem considerar o que nos levou a ela,
e deixamos de aprender e tomar decisões profundas em relação ao nosso caráter e
vida. Devemos lembrar que Deus vê o nosso coração antes da ação e por isso devemos
nos atentar de que Ele
é o único que pode nos ajudar a lidar com sentimentos que
nos atrapalham de cumprir sua vontade. Talvez você hoje possa estar com dificuldade
de cumprir a vontade de Deus e não percebeu que sua vida de oração está tão pobre
e medíocre a ponto de você se achar um estranho para com Deus. Tome hoje a decisão
de melhorar seu relacionamento com Deus, afinal o que mais importa não são os anos
que você andou com Deus, mas em como você passa tempo com Ele.
4. Falta de Sinceridade que leva ao erro e traz conflitos ao coração.
(Mateus 26:14-16)
4.1. A Palavra de Cristo e
os planos do coração do Homem.
Mas o que há na vida de Judas que podemos associar aos outros três exemplos?
Todos estavam perto de Deus, mas havia uma grande falha no relacionamento, pois eles não
eram sinceros com Deus quanto as seus sentimentos e desejos.
Judas havia visto os ensinamentos de Cristo de perto, era seu discípulo e andavam
juntos, mas não era sincero com Ele. Intimidade com Deus é mais do que andar com Ele é expressar quem realmente somos e estarmos ligados de coração aos seus ensinamentos
e para isso é preciso orar para que possamos ser purificados de nossas maldades e livres de uma consciência culpada a fim de permanecermos em Sua presença.(Lucas 18:9-14)
Judas provavelmente não tinha noção das conseqüências de seus planos, pois estava
seduzido pelos seus sentimentos e só pensava em si mesmo. A falta de humildade e
sinceridade dele fez com que chegasse a ponto de roubar o dinheiro da bolsa dos
apóstolos (João 12:6).
Demonstrou exteriormente a sua fraqueza na cena da unção com óleo perfumado em Betânia,
onde testemunhou que estava mais apegado ao dinheiro do que propriamente aos gestos
concretos com que Jesus demonstrava a sua missão (João 12:1-6).
Assim como Caim, ao ser exposto por Jesus na Santa Ceia, Judas não se arrependeu,
mas calou-se e alimentou ainda mais seus sentimentos.
4.2. Sinceridade que alivia
nossa culpa. (Mateus 27:1-5)
Judas provavelmente não pensou que poderia levar Cristo à morte, mas que forçaria
Jesus a liderar o povo contra os opressores, para a libertação, assim como havia
feito Davi. Em nossas vidas, muitas vezes por mera tolice, tomamos decisões que
certamente nos trarão muita dor e sofrimento. É muito importante lembrarmos que
Deus está de braços abertos esperando que seus filhos se voltem para Ele, assim
como lemos na parábola do Filho pródigo (Lucas 15:11-32),
onde nos mostra que há sempre uma oportunidade de se voltar para Ele enquanto houver
tempo, mas para isso precisamos de humildade. Judas ao ver as conseqüências de suas
obras malignas, percebeu o quanto estava enganado e provavelmente lembrou-se de
todo o amor que o mestre havia dado a ele. O problema é que ele foi expressar seus
sentimentos de culpa a pessoas erradas e não para Jesus ou seus irmãos em Cristo,
ele buscou resolver a situação indo até os que lhe haviam pago para entregar Jesus
e não buscou ter comunhão com Cristo, expressando seus pecados e assumindo sua responsabilidade
pelo pecado cometido, ”dizendo: Pequei, traindo sangue inocente.
Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo”.
Suas obras não demonstraram arrependimento, mas desespero. Eu fico muito pensativo
na questão de que ele teve coragem de se matar, mas não teve coragem de se humilhar
diante de Cristo, adquirindo paz e vida, isto porque provavelmente ele não havia
criado um tipo de intimidade com Deus a ponto de entender que havia perdão para
seus pecados.
Muitos de nós enfrentamos momentos difíceis na vida cristã por causa do pecado e
é nestas horas que precisamos mais do que nunca termos a convicção de que somente
a sinceridade pode nos ajudar no processo de arrependimento. O suicídio de Judas
é a prova de que seus sentimentos guiaram suas decisões, assim como aconteceu com
Saul. (1 Samuel 31:4)
O desespero carrega fortes sentimentos que nos conduzem à insensatez. (Ester
7:6-8) Nossos planos têm um bom relacionamento com as Palavras de Jesus
ou são guiados por nossos sentimentos e vontades?
A falta de sinceridade com Deus nos leva ao sofrimento, tendo como conseqüência
o pecado que nos separa de Deus.