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A liberdade e os namoros cristãos
Jorge Bittencourt

Deus ama nos abençoar! A sua bondade nos leva ao arrependimento (Romanos 2:4); o seu amor nos constrange (II Coríntios 5:14); e nós só conseguimos amar porque ele nos amou primeiro (I João 4:19). Verdadeiramente Deus é um senhor bondoso, que dá sem esperar receber de volta.
Porque Deus nos ama, ele também nos dá liberdade: onde o Espírito do Senhor está, ali há liberdade (II Coríntios 3:14); Jesus foi enviado para proclamar liberdade aos presos (Lucas 4:18); e nós fomos chamados para viver em liberdade (Gálatas 5:1).
Ao mesmo tempo em que o amor de Deus nos liberta, ele também nos escraviza! Cristãos têm uma dívida de amor com as pessoas (Romanos 13:8). Pagar uma dívida não é algo opcional! Discípulos também não devem usar a sua liberdade para dar ocasião à vontade da carne, mas para servir aos outros, mediante o amor (Gálatas 5:13-14). Em outras palavras, não recebemos liberdade de Deus para fazermos o que quisermos com nossas vidas. Somos livres do poder do pecado e escravos de Deus e não o contrário. Nossa liberdade deve ser usada para o bem dos outros e não para o nosso próprio (I Coríntios 10:23).
Namorar um discípulo ou discípula de Jesus é um imenso privilégio! Construir uma amizade pura e com propósito, centralizada em Jesus, é um presente que só encontramos no Reino de Deus. Eu, particularmente, sou muito grato a Deus por ter namorado uma das suas filhas, que acabou se tornando a minha amada esposa, quase quatro anos atrás.
Em um namoro entre discípulos, como em qualquer outro relacionamento cristão, precisamos nos perguntar como estamos usufruindo da liberdade que Deus nos dá. Para que o corpo de Cristo seja saudável, e por amor à igreja, precisamos aprender a abandonar alguns direitos nossos, por amor à igreja.
Romanos 14:16-21
Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência. Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua. Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem. É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair.
Paulo exorta os cristãos de Roma a abandonarem o privilégio de comer carne livremente e em público, caso houvesse irmãos presentes cuja consciência fosse ferida pelo fato de discípulos estarem comendo carne sacrificada aos ídolos (quase toda a carne disponível para venda em cidades da antiguidade havia passado por templos pagãos, onde era oferecida a ídolos).
Semelhantemente, devemos nos perguntar se a maneira como estamos conduzindo nosso namoro tem ferido a consciência de outros irmãos. O triste fato é que, em nossas igrejas, há alguns namoros que não têm dado glória a Deus. Ao invés de inspirar os que ainda não namoram, desanimam os que têm esperança de encontrar um par. Alguns casais têm andado próximos demais, dormindo na casa um do outro, encontrando-se diariamente e trocando carinhos e toques além do que é recomendado pela Palavra de Deus.
Quero deixar claro que não estou falando a respeito de impureza e imoralidade em relacionamentos cristãos. Se esse for o caso, aplicam-se passagens como I Coríntios 6:18-20, Mateus 5:27-30 ou Efésios 5:3-7, deve-se confessar o pecado e abandoná-lo, pois o próprio Paulo disse que “nenhum imoral, ou impuro, ou ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus” (Efésios 5:3, ênfase minha). Nesse artigo, estou me referindo a casais de namorados que, embora estejam se mantendo puros, não estão pensando no interesse dos outros acima dos seus próprios.
A essa altura, você pode estar se perguntando qual o problema em ver o seu namorado diariamente, ou até mesmo em andar bem próximo a ele ou trocar alguns carinhos mais íntimos. Eu responderia que há muitos.
Primeiramente, a Bíblia é clara ao afirmar que devemos fugir de situações em que somos tentados a pecar. Provérbios 6:27-28 diz: “Pode alguém colocar fogo no peito sem queimar a roupa? Pode alguém andar sobre brasas sem queimar o pé?”. Igualmente, I Coríntios 6:18 ordena que fujamos da imoralidade. Embora a impureza seja uma dificuldade maior para os homens, tanto o homem como a mulher são responsáveis por manterem-se puros e zelarem pela pureza do outro.
Irmãs, que tipo de zelo vocês demonstram pelo seu namorado se querem abraçá-lo frequentemente, fazer massagens em suas costas e convidá-lo à sua casa e até ao seu quarto quando estão a sós? É importante que vocês entendam que, embora a proximidade física e o carinho as façam se sentir protegidas e cuidadas, eles são armas perigosas para os homens.
Como andam as suas amizades com outras irmãs? Como está a sua vida evangelística? A maneira como gastamos nosso tempo revela muito sobre as nossas prioridades: o que é mais importante para você, o seu namorado ou Deus e o seu Reino? Muitas mulheres têm sido enganadas por Satanás, achando que encontrarão, em seu par, a solução para a sua carência emocional. A Bíblia ensina, no entanto, que somente Deus pode suprir as nossas necessidades emocionais mais profundas. (Salmo 63:4-5). Deus quer oferecer a cada um de nós um propósito: servir a ele, ao seu povo e a um mundo perdido. Somente isso trará a paz, a satisfação e o preenchimento que todos nós procuramos.
Irmãos, vocês estão zelando pelas amizades das suas namoradas? Muitas irmãs na igreja sentem-se sozinhas, sem amigas ou relacionamentos profundos. Vocês, como líderes espirituais do seu relacionamento, têm o dever de ajudá-las. Como andam as suas próprias amizades? Vocês têm recorrido a casais mais maduros, para aprender das suas experiências, ao mesmo tempo em que vocês expõem os seus problemas, em um verdadeiro espírito de sinceridade e humildade?
O fato é que, quanto mais os namorados se voltam um para o outro no relacionamento, menos se envolvem com outras pessoas, trazendo tristeza (Atos 20:35) e abrindo a porta para Satanás trabalhar (João 3:19-21).
E o que falar das pessoas que ainda não são discípulas? A Bíblia ensina que nós devemos tornar o ensino de Cristo atraente aos que ainda não o conhecem (Tito 2:9-10). Há poucas coisas que causam mais impacto na vida de uma pessoa do que ver exemplos de discípulos dando suas vida para praticar os mandamentos de Deus. Pergunte-se a você mesmo: como será que as pessoas de fora vêem um relacionamento onde um namorado “vive” na casa da sua namorada e até dorme lá? Podemos nos orgulhar desse tipo de comportamento?
Por fim, relacionamentos como esses prejudicam a fé de muitos irmãos. Na primeira carta de Paulo aos coríntios, ele lida, do capítulo 8 em diante, com a questão da carne sacrificada aos ídolos. No versículo 8:1, ele afirma que "o conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica". Ele prossegue, nos versículos 8:9-13:
Contudo, tenham cuidado para que o exercício da liberdade de vocês não se torne uma pedra de tropeço para os fracos. Pois, se alguém que tem a consciência fraca vir você que tem este conhecimento comer num templo de ídolos, não será induzido a comer do que foi sacrificado a ídolos? Assim, esse irmão fraco, por quem Cristo morreu, é destruído por causa do conhecimento que você tem. Quando você peca contra seus irmãos dessa maneira, ferindo a consciência fraca deles, peca contra Cristo. Portanto, se aquilo que eu como leva o meu irmão a pecar, nunca mais comerei carne, para não fazer meu irmão tropeçar.
Paulo afirma, nesses versículos, que os discípulos precisavam aprender a abandonar privilégios da vida cristã para não atrapalhar a caminhada de outros discípulos. No capítulo 9, Paulo dá o exemplo de sua própria vida, de como ele deixou de lado vários direitos para, de alguma forma, ganhar algumas pessoas. Finalmente, conclui a questão, nos versículos 10:31-33, afirmando que tudo que fazemos deve ser para a glória de Deus:
Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus. Não se tornem motivo de tropeço, nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus. Também eu procuro agradar a todos, de todas as formas. Porque não estou procurando o meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos.
Pergunte-se honestamente: o seu namoro tem inspirado a igreja e dado glória a Deus ou tem levantado incertezas e dúvidas na consciência dos irmãos? Não estou afirmando que você não tem o direito de ficar “grudado” com o seu namorado ou namorada, estou apenas chamando-o a refletir se você tem seguido o caminho do amor – por você, pelo seu namorado, pelos irmãos e pelos que ainda não conhecem a Cristo.
Podemos ficar inseguros quando precisamos tomar algumas decisões radicais em nossas vidas: “mas se eu não passar muito tempo com minha namorada, como vou crescer em intimidade com ela?”; “como vou satisfazer minhas necessidades emocionais?” são apenas alguns dos questionamentos sinceros que podem cruzar nossas mentes. A minha convicção é que, se seguirmos o exemplo de Jesus, é impossível que dê errado.
Romanos 15:1-6
Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o bem dele, a fim de edificá-lo. Pois também Cristo não agradou a si próprio, mas, como está escrito: “Os insultos daqueles que te insultam caíram sobre mim”. Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança. O Deus que concede perseverança e ânimo dê-lhes um espírito de unidade, segundo Cristo Jesus, para que com um só coração e uma só voz vocês glorifiquem ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
A Bíblia afirma que Jesus não procurou os seus próprios interesses, mas os dos outros. É um privilégio sofrer pelo bem das pessoas. Se colocarmos Deus e os outros em primeiro lugar, Ele certamente nos abençoará e lutará por nós, cuidando das nossas necessidades.
Que Deus abençoe muito os namoros em nossas igrejas e que, deles, possam surgir casamentos inspiradores e duradouros, construídos sobre a Rocha que é Cristo.

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