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| Onde estamos construindo nossa fé? |
Mateus 17:1-5
O evento da transfiguração foi muito importante para a fé dos discípulos. Devemos lembrar que,
embora Jesus realizasse muitos milagres, não era óbvio para os homens que o seguiam que ele era
o Filho de Deus. Era necessário que eles acreditassem nisso por meio da fé. Nesse ponto, você
pode estar se perguntando como seria possível não crer em Jesus, visto que ele realizava tantos
milagres! Bem, Jesus, de fato, fez muitos milagres, no entanto, o uso da magia, do espiritismo e dos
milagres era muito comum no Judaísmo e nas províncias orientais do Império Romano. Seguem
algumas evidências dessa afirmação:
• Jesus mencionou, no sermão do Monte (
Mateus 7:21-23), que nem todo aquele que
expulsasse demônio ou realizasse milagre estaria na sua presença. Ou seja, expulsar
demônio ou realizar um milagre não deveria ser algo completamente incomum entre os
seus ouvintes, caso contrário, não faria nenhum sentido fazer essa ressalva;
• Os fariseus acusaram Jesus de expulsar demônios pelo poder de Belzebu (Mateus
12:24). Note que o que está sendo atacado pelos fariseus não é o poder de Jesus de
expulsar demônios, mas sim a autoridade pela qual ele estava fazendo isso. Conclui-se,
dessa forma, que os fariseus também não consideravam incomum o poder de expulsar
demônios;
• Em Atos 8:9-11 foi mencionado o mago Simão, que morava em Samaria e que praticava
feitiçaria há algum tempo naquela cidade, impressionando todo o povo de lá;
• Em Filipos havia uma menina que predizia o futuro e realizava muitas adivinhações
(Atos 16:16);
• Em Éfeso, havia sete filhos de um sacerdote judeu chamado Cevas, que expulsavam
espíritos malignos (Atos 19:13-14).
Os exemplos acima demonstram que, embora o poder de Jesus de realizar milagres era
incontestavelmente do Pai, não era uma coisa tão incomum a ponto de convencer por completo
aqueles que o viam realizando tais feitos. O desafio permanecia, mesmo para aqueles que andavam
com Jesus, de crer no seu poder por meio da fé.
Jesus passou 3 anos com os discípulos para que a fé deles crescesse e ficasse firme. Durante esse
tempo, eles viram muitos milagres, foram ensinados muitos princípios e viram o exemplo da vida de
Jesus. Todos esses eventos contribuíram para transformar as suas vidas. O evento da
transfiguração, em particular, ajudou muito a construir a fé dos discípulos presentes. Eles tiveram a
oportunidade de ver Jesus de uma maneira mais real, como de fato ele se parecia antes de vir a
esse mundo. Estiveram na companhia de grandes homens de Deus. Ouviram a voz do Senhor e
sentiram segurança de que aquele caminho que eles estavam aventurando-se em seguir era de fato
o caminho correto aos olhos Dele!
Pedro adorou estar na presença de Deus e dos profetas, ao ponto de querer construir tendas e
nunca mais sair daquele lugar! Ele gostou tanto que até esqueceu dos outros dois discípulos que
estavam com ele quando se ofereceu para construir apenas três tendas! Na nossa vida cristã, Deus
também nos dá muitas confirmações de que estamos vivendo o caminho correto. Ele permite que
passemos por momentos onde nosso tanque de fé se enche, onde conseguimos ver Jesus de uma
maneira mais real, onde passamos tempo na presença de homens e mulheres aprovados por Deus,
momentos em que crescemos na nossa confiança e convicção da vida cristã!
No último fim de semana, no retiro da nossa igreja, eu me senti assim! No íntimo me deu vontade de
fincar o pé no chalé e não sair mais de lá. O lugar lindo, o clima tranqüilo, ao mesmo tempo divertido,
as conversas profundas, o ensino intenso e caloroso da Palavra de Deus, todas essas coisas
contribuíram para que me sentisse convicto e muito grato por ter o privilégio de viver a vida cristã. No
entanto, acredito que não é o propósito de Deus que esses momentos durem por muito tempo, aqui
na terra. Iremos passar, sim, momentos eternos de felicidade e intensidade, lá no céu, na própria
presença de Deus, quando não só ouviremos a sua voz, mas poderemos adorá-lo face a face, como
quem fala com um amigo. Aqui na terra, porém, Deus tem outros planos para os seus discípulos!
Mateus 17:14-20
Os discípulos desceram do monte com Jesus e se deram de cara com um problema, e dos grandes.
Um menino endemoninhado, tendo uma convulsão (de acordo com Marcos 9:20), um pai
desesperado, uma multidão ao redor, seus discípulos tentando curar o menino e não conseguindo:
enfim, um grande alvoroço!
O que significa o menino endemoninhado para você hoje? Quais são os desafios que estão
sacudindo a sua vida? Alguns estão estudando e quebrando a cabeça para aprender coisas novas.
Seriam os livros que estariam sacudindo-o? Outros estão lutando para conseguir um emprego ou
melhorar profissionalmente, para ter uma situação financeira mais tranqüila e ter mais estabilidade.
Nesse caso talvez sejam as incertezas do futuro que podem estar balançando-o! Alguns querem
namorar e achar alguém que lhes complete emocional e espiritualmente. Nesse caso provavelmente
sejam os hormônios que estão mexendo com você! Outros, por fim, estão lutando para se animar
espiritualmente, tirar as teias de aranha da Bíblia e voltar a orar! Não importa a dificuldade pela qual
você esteja passando, o fato é que todos temos dificuldades e, portanto, podemos nos identificar
com aquele menino. Jesus, ao descer do monte, cura o menino e sai dali com seus discípulos. Note
que os discípulos que subiram ao monte com Jesus são diferentes dos que não conseguiram curar o
menino. Estes, sem entender porque não haviam conseguido curá-lo, perguntam a Jesus porque não
haviam tido êxito. Pare um momento e reflita, antes de prosseguir: por que você acha que eles não
haviam conseguido? Jesus responde que a fé deles era pequena e começa então a falar de uma
semente de mostarda! Essa semente é uma das menores sementes que existem no mundo! O que
Jesus queria dizer, ao fazer a comparação entre a semente e a fé dos discípulos, era que, se eles
tivessem ao menos um pouquinho de fé, eles já seriam capazes de fazer coisas aparentemente
impossíveis! Jesus estava incentivando os seus discípulos a crerem no poder que há na fé em Deus.
Não era necessário ter a fé de Jesus ou ter muitos talentos, bastava que eles possuíssem fé do
tamanho de uma semente de mostarda!
Jesus conclui sua reposta com uma afirmação importante no versículo 21. Antes de prosseguir, note
que, em Mateus 10:1, ele já havia dado aos discípulos “autoridade para expulsar espíritos imundos e
curar todas as doenças e enfermidades”. Ou seja, os discípulos já possuíam um montante mínimo de
fé pois, caso contrário, não teriam conseguido expulsar nenhum demônio naquela ocasião. Por que
será, então, que eles falharam ao expulsar o demônio deste menino?
Mateus 17:21
Jesus fala que aquela espécie de demônio não sai sem oração e jejum. A resposta de Cristo é
interessante. Ele poderia ter dito que eles não foram capazes de curar o menino porque não subiram
ao monte da transfiguração com ele, ou porque não se esforçaram o suficiente, ou ainda porque não
tiveram compaixão suficiente do menino ou, por fim, porque não conversaram com ele o bastante
para entender o problema de verdade. Mas vemos que Jesus não falou nada dessas coisas. Pelo
contrário, ele responde que a única força capaz de fazer aquele tipo de demônio sair era a oração e
o jejum.
O jejum era usado, no Velho Testamento, como uma ferramenta poderosa para aproximar as
pessoas de Deus. Não era usado simplesmente para alcançar metas ou desejos do coração, mas
para ajudar as pessoas a quebrantarem seus corações e se renderem e se recomprometerem com
Deus. Nessa passagem, o jejum pode significar o jejum de alimentos propriamente dito ou, em
termos mais genéricos, o esforço que realizamos para estarmos perto de Deus!
Ao concluir sua resposta, Jesus faz a ligação entre a nossa oração e o esforço que depreendemos
para conhecer a Deus com a nossa fé, deixando claro que esta última depende da nossa intimidade
com o Pai.
Como anda a sua fé hoje? Os eventos de que participamos e as atividades da nossa vida cristã não
têm poder para nos dar fé. Eles podem nos ajudar a fortalecê-la, mas não podem criá-la. Tampouco
conseguimos a fé por meio de relacionamentos. Os discípulos podem nos ajudar a seguir os passos
que nos darão fé, mas não podem criar fé em nós (conforme comprovamos ao ler a parábola das
dez virgens, em Mateus 25). A única coisa que pode fazer brotar a fé em nós é o nosso
relacionamento com Deus e a nossa busca por ele!
Nós tivemos um retiro incrível e voltamos muito animados de lá. Ótimo! No entanto, a base da nossa
fé é construída por meio da oração e da leitura bíblica! Temos construído relacionamentos mais
íntimos na igreja. Incrível! No entanto, só conseguiremos expulsar os demônios ao nosso redor se
nossa fé for baseada na Palavra de Deus e na oração!
Em que sua fé está baseada hoje? Mateus nos ensina, com os relatos da transfiguração e da cura
do menino endemoninhado, onde basear nossa fé.
É interessante notar, também, que, embora os discípulos não tivessem conseguido expulsar o
demônio, eles não se deram por vencidos e foram perguntar a Jesus, o próprio Deus, o porquê da
sua falha. Aprendemos o quão importante é expressarmos nossos problemas ao nosso Criador e
buscarmos a transformação da nossa mente e caráter. Você conversa com Deus sobre seus
problemas? Você insiste com Ele para ajudá-lo a enfrentar e resolver seus desafios? Os discípulos
não haviam vencido o deles, mas, após terem conversado com Jesus, sabiam a direção em que
deviam andar.
Salmo 5:1-3
A base da nossa fé deve ser essa: levar a Deus, em oração, os nossos problemas, as nossas
alegrias, as nossas tristezas e os pensamentos mais íntimos e buscar, na sua Palavra, a sua
resposta, cheios de esperança! Sim, esperança, porque é do agrado de Deus nos dar respostas e
nos revelar mistérios (Lucas 10:21).