A história do povo de Israel é narrada na Bíblia a partir da promessa que Deus fez a Abrão de
que ele seria pai de uma grande nação. Décadas após essa promessa, Deus enviou um grupo
de 70 hebreus ao Egito por causa da fome que se alastrava por toda aquela região. Os hebreus
multiplicaram-se no Egito e sofreram, por séculos, dura escravidão, até que Deus, por meio de
Moisés, os libertou.
Embora o plano de Deus fosse levar os seus escolhidos imediatamente à terra que lhes fora
prometida, o povo acabou vivendo no deserto durante o período de 40 anos, por causa do seu
próprio pecado. Nesse período, a Lei de Deus havia sido entregue a Moisés e comunicada a
toda o povo.
Moisés não entraria na terra prometida junto com a comunidade. Por causa do seu próprio
pecado, Deus havia dito que ele morreria antes de colocar o pé em Canaã (Números 27:12-14). Dessa forma, antes que se separasse do povo, Moisés aproveita para reuni-lo e recapitular
o que Deus havia ordenado a toda a comunidade (Dt 1:3, 6-8). O nome
Deuteronômio (Dt), derivado do grego, significa isso: a segunda vez em que a lei é dada ao povo
(deuteros significa “segundo” e nomos significa ”lei”).
Nos capítulos desse livro, as observâncias da lei são explicadas, em geral, com menos
detalhes. No entanto, o coração e as motivações de Deus por trás das ordenanças são
realçados mais claramente do que nos demais livros do Pentateuco.
Em Deuteronômio, Moisés deixa claro o aspecto contratual do Velho Testamento. O que quer
dizer um contrato? Um termo que estabelece direitos e obrigações a todas as partes. Dessa
forma, fica claro que a natureza do acordo que Deus fez com o povo hebraico estabelecia
bênçãos, como fruto da obediência, ou prometia desgraças, como conseqüência da
desobediência.
Essa natureza contratual seria suficiente para nos motivar a obedecer? Em tese, sim, uma vez
que viveremos poucos anos neste mundo e, mesmo que nossa vida com Deus fosse ruim
nesta vida, teríamos toda a eternidade nos céus para mirar e nos inspirar.
No entanto Deus não se limita a exigir a obediência do povo como pré-requisito para vivermos
eternamente com ele (embora a obediência seja de fato um pré-requisito). Deus faz questão de nos explicar o porquê da necessidade de obedecer. Mais
que isso, ele explica a razão por trás dos vários mandamentos que ele dá ao povo e, por fim,
demonstra o amor que havia por trás da exigência pela obediência. Vamos explorar esses três
pontos mais a fundo a seguir.
A necessidade de obedecer
• Dt 4:5-8 – Os mandamentos de Deus são muito sábios e inteligentes! São
melhores que a nossa maneira de fazer as coisas. Podemos confiar na maneira de Deus para
termos vidas prósperas e que serão reconhecidas por nossos amigos como incríveis!
• Dt 6:24 – A obediência é necessária para que as coisas vão bem em nossa vida e
sejamos preservados! A realidade é que o pecado acaba conosco, tanto física quanto
espiritualmente, e Deus quer nos livrar disso!
• Dt 8:19-20 – Devemos obedecer por causa da soberania de Deus! Quando
assinamos um contrato em um banco, se não concordamos com alguma cláusula,
simplesmente não assinamos o contrato, não? Da mesma forma acontece com Deus! Ele
oferece o contrato de salvação a cada um de nós, mas não podemos alterar cláusula nenhuma!
Ou assinamos ou largamos! Deus é soberano para pedir um posicionamento de nós!
A razão por trás de alguns mandamentos
• Ler a Palavra (Dt 11:18-21): Deus quer que sua Palavra esteja sempre diante de nós! Por quê
(Dt 11:16-17)? Sem a Palavra, somos tentados a nos afastarmos de Deus e sermos seduzidos por
outros deuses!
• Ensinar a palavra (
Dt 6:20-21): Devemos ensinar a Palavra aos outros para passarmos o
coração de Deus, para que as pessoas obedeçam aos mandamentos não simplesmente como
regras, mas porque entendem o coração de Deus por trás deles e querem agradá-lo.
• Perseverar nas dificuldades (Dt 8:3-5): Precisamos da disciplina para continuar no caminho
certo! A disciplina nos ajuda a entender o quão somos dependentes de Deus! Hebreus 12
clarifica que devemos encarar nossas dificuldades como disciplina do Senhor.
• Ser grato (Dt 8:10): Não devemos esquecer que Deus nos abençoou muito! Dt
menciona 50 vezes que Deus nos tirou do Egito (como, por exemplo, em Dt 4:37) para nos ajudar
a lembrar de onde viemos. Outra razão para sermos gratos é lembrarmos que temos recebido
muitas coisas de graça (Dt 6:10-11): amigos, conselho e direção espiritual, paz, esperança, e
muitas outras.
• Amar os estrangeiros (Dt 10:19): Os israelitas deviam amar os estrangeiros. Por quê? Porque
eles mesmos haviam sido estrangeiros no Egito e Deus havia salvado a eles. Hoje os
estrangeiros espirituais são aqueles que não conhecem a Deus. Devemos amá-los, porque um
dia fomos como eles: vivíamos sem Deus e sem esperança nesse mundo (Efésios 2:12).
• Amar a Deus com todas a nossa força e alma (Dt 10:14-22): Por que nos dedicar tanto a Deus?
Porque ele quer ser próximo emocionalmente de nós. Quer que passemos tempo com ele, que
gostemos do que ele gosta.
O amor que está por trás da exigência pela obediência
• Dt 4:7: É um privilégio podermos nos aproximar de Deus de uma maneira íntima.
• Dt 4:20: Deus nos tirou da escravidão da nossa vida antiga para sermos herdeiros
da sua glória!
• Dt 4:32-34: Nós somos muito privilegiados por termos acesso direto a Deus, por
meio da sua Palavra, do seu filho e do seu Espírito.
• Dt 7:6-7: A razão pela qual somos escolhidos é o amor de Deus! Não há outra
razão!
• Dt 11:12: Até a terra que o Senhor estava entregando a eles era amada!
• Dt 4:29-31: Deus tem muita misericórdia do seu povo. Qualquer momento é certo
para mudar a mente e se voltar para Deus.
Qual é o mandamento que você mais tem dificuldade para entender e obedecer? Busque na
Bíblia o coração de Deus por trás deste mandamento para que você se renda a ele.
O chamado do evangelho a cada ser humano é exatamente esse: “Arrependam-se, pois o
Reino dos céus está próximo” (Mateus 4:17). A palavra arrependimento significa mudança de
pensamento, de visão de vida. Se entendermos o coração de Deus por trás dos seus
mandamentos, teremos a motivação correta para mudar nossa maneira de pensar e nos
entregarmos completamente a Deus como sacrifícios vivos (Romanos 12:1-2).